Apesar do amplo consenso sobre os benefícios do exercício para a longevidade, um estudo publicado na BMJ Medicine ampliou a abordagem tradicional ao avaliar não só o volume total de atividade, mas também as modalidades praticadas e a diversidade de exercícios ao longo do tempo.
Em acompanhamento longitudinal de 111.467 adultos inicialmente sem doenças crônicas graves, com atualizações bienais sobre hábitos de movimento durante mais de três décadas, os pesquisadores verificaram que maior nível de atividade física está consistentemente ligado a menor mortalidade por todas as causas, assim como a redução de óbitos por doenças cardiovasculares, câncer e enfermidades respiratórias.
Exercícios ligados à longevidade
Na comparação entre práticas específicas, a caminhada esteve associada à maior redução proporcional no risco de morte por todas as causas, com queda de 17%. Em seguida apareceram esportes de raquete, com 15%, remo ou calistenia, com 14%, corrida e musculação, ambas com 13%.
O hábito regular de subir escadas indicou redução de 10%, enquanto natação e ciclismo apresentaram diminuições de 7% e 4%, respectivamente.
Corrida, modalidades de raquete e treino de força também mostraram associação mais consistente com menor mortalidade cardiovascular e respiratória.
Entre pessoas com o mesmo volume total de atividade física, aquelas que variavam as modalidades apresentaram:
- 19% menos risco de morte por todas as causas
- Redução adicional de 13% a 14% para doenças cardíacas, respiratórias e câncer
A combinação de estímulos aeróbicos, de força e coordenação é apontada como possível fator para esse efeito complementar.
Impactos no corpo
A redução mais significativa do risco foi observada quando os participantes passaram do sedentarismo para algum nível de atividade física. Após essa transição inicial, aumentos adicionais na duração ou na intensidade do exercício continuaram relacionados a vantagens para a saúde, porém com ganhos progressivamente menores.
Os efeitos tenderam a se estabilizar em torno de 20 MET horas semanais, o equivalente a cerca de 300 minutos de atividade moderada, faixa compatível com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.
Embora seja um estudo observacional e baseado em autorrelato, os resultados indicam que regularidade e diversidade na prática de exercícios estão associadas a ganhos adicionais em saúde e longevidade.





