Pelo regulamento da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, responsável pelo Oscar, não há critério de desempate quando duas produções alcançam o mesmo número de votos: ambas são declaradas vencedoras e recebem a estatueta.
Foi o que ocorreu na 98ª edição, em 2026, quando Os Cantores e Two People Exchanging Saliva empataram na categoria Melhor Curta-Metragem e dividiram o prêmio.
O episódio representou o sétimo empate na história do Oscar; um resultado raro em votações amplas, normalmente definidas por margens estreitas, mas previsto nas normas da Academia.
Empates no Oscar
O primeiro empate ocorreu em 1933, na quinta edição do Oscar, na categoria Melhor Ator. Na ocasião, Wallace Beery venceu por O Campeão, enquanto Fredric March foi premiado por O Médico e o Monstro, inaugurando um histórico raro de decisões compartilhadas.
Nas décadas seguintes, outros cinco empates foram registrados antes de 2026. Em 1950, Melhor Documentário Curta-Metragem consagrou A Chance to Live e So Much for So Little. Já em 1969 ocorreu o empate mais emblemático da história da premiação: Katharine Hepburn venceu por O Leão no Inverno e Barbra Streisand por Funny Girl, dividindo o prêmio de Melhor Atriz.
Em 1987, o empate foi em Melhor Documentário, com Artie Shaw: Time Is All You’ve Got e Down and Out in America. Em 1995, a divisão voltou a ocorrer em Melhor Curta-Metragem, entre Franz Kafka’s It’s a Wonderful Life e Trevor.
O caso mais recente antes de 2026 havia sido em 2013, quando A Hora Mais Escura e Skyfall compartilharam o prêmio de Melhor Edição de Som.
Igualdades em premiações
Empates em premiações de grande porte decorrem, em geral, de mecanismos específicos de apuração. No Oscar e no Primetime Emmy Awards, por exemplo, a divisão do prêmio acontece quando há coincidência exata no número de votos contabilizados.
Em festivais como o Festival de Cannes, a lógica é distinta: a premiação compartilhada pode ser fruto de uma escolha consensual do júri, e não necessariamente de um empate matemático.
Do ponto de vista estatístico, igualdades são incomuns em academias que reúnem milhares de votantes, mas tendem a ser mais viáveis em associações menores ou em decisões tomadas por colegiados reduzidos.






