A Telefónica, multinacional espanhola responsável pela Vivo no Brasil, estuda vender parte de sua participação na operadora brasileira como forma de levantar recursos para investir em mercados europeus.
A possível operação, ainda em fase de avaliação, visa fortalecer a atuação da empresa na Europa, região considerada estratégica e prioritária para os próximos anos. A decisão está sendo analisada como parte de um movimento mais amplo de reestruturação e reposicionamento do grupo.
Operação da Vivo no Brasil pode ser vendida nos próximos meses
Atualmente, a Telefónica detém cerca de 70% das ações da Vivo e avalia se desfazer de até 20% dessa fatia, sem abrir mão do controle da operadora.
Mesmo com uma eventual venda, a companhia seguiria como sócia majoritária e manteria a gestão e a consolidação dos resultados da Vivo em seus balanços globais.
A venda parcial da participação também ajudaria a reduzir a exposição da multinacional ao real, uma moeda que tem apresentado volatilidade frequente frente ao dólar nos últimos anos.
O grupo espanhol está sendo assessorado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG) na elaboração de um plano estratégico que será oficialmente detalhado a partir de setembro.
Entre as possibilidades analisadas está ainda uma nova emissão de ações na matriz, algo que não ocorre em larga escala desde 2015, quando a Telefónica precisou de capital para adquirir a GVT no Brasil — empresa posteriormente incorporada à Vivo.
Telefónica pode vender parte da Vivo para fazer aquisições na Europa
A intenção com a possível captação, estimada entre 3 e 4 bilhões de euros, é preparar a companhia para disputar investimentos e aquisições relevantes na Europa. Uma das ambições mais mencionadas nos bastidores é a aquisição da Vodafone na Espanha, atualmente nas mãos da britânica Zegona.
Essa movimentação, no entanto, exigiria uma operação financeira de grande porte, avaliada em mais de 11 bilhões de euros, incluindo dívidas.
Nas últimas décadas, a Telefónica tem promovido um processo contínuo de desinvestimento na América Latina. Já vendeu operações em países como Argentina, Colômbia e Uruguai, e pode ainda rever suas posições em mercados como Chile e Venezuela.
A movimentação reforça a estratégia da atual gestão, que tem reiterado, inclusive em audiências no parlamento espanhol, que o foco do grupo será a Europa.
A decisão final sobre a venda da fatia na Vivo deve ser tomada nos próximos meses, mas, até o momento, nenhuma possibilidade foi descartada.





