A partir deste domingo (12), a União Europeia iniciou a implementação do Sistema de Entrada e Saída (EES), que promete transformar radicalmente a forma como turistas de fora do bloco atravessam as fronteiras europeias.
A iniciativa marca o fim dos tradicionais carimbos em passaportes, substituídos por um registro eletrônico automatizado que combina dados biométricos e informações de viagem.
A mudança visa aumentar a segurança, agilizar o processo de fiscalização e modernizar o controle de turistas, embora traga desafios nos primeiros meses de adaptação.
Como o EES funciona na prática
O EES substitui o antigo carimbo manual por um sistema digital que coleta e armazena informações cruciais de cada visitante. Ao cruzar a fronteira, o viajante terá seus dados biométricos capturados: foto facial e quatro impressões digitais, além dos dados do passaporte, local e data da entrada ou saída.
O sistema calculará automaticamente os dias de permanência no espaço Schengen e armazenará essas informações por três anos, ou cinco, caso o limite de 90 dias seja ultrapassado.
Portugal, tradicional porta de entrada para brasileiros, já adotou o modelo digital, eliminando completamente o carimbo físico e oferecendo uma experiência mais tecnológica para os viajantes.
Garantia de proteção de dados
Todos os dados coletados pelo EES estão protegidos pelas rigorosas normas do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), equivalente europeu à LGPD brasileira. Somente autoridades de fronteira e imigração terão acesso às informações, garantindo sigilo e segurança.
Infrações, como ultrapassar o período permitido, resultam em registro como “overstayer”, com dados armazenados por cinco anos e possíveis penalidades que vão de multas à restrição de reentrada ou deportação.
Quem está isento do novo sistema
O EES não se aplica a todos os viajantes. Estão isentos cidadãos da União Europeia, do Espaço Econômico Europeu, Suíça, titulares de visto de longa duração, residentes, nacionais de microestados como Andorra e Mônaco, diplomatas, tripulantes e trabalhadores transfronteiriços sob acordos específicos.
Irlanda e Chipre também continuarão utilizando carimbos manuais, mantendo exceções históricas.
Adaptação inicial e mudanças na experiência do passageiro
Nos primeiros meses, a entrada será mais demorada, pois a coleta biométrica inicial demanda tempo. Nas viagens seguintes, o reconhecimento facial agilizará o processo.
Durante a fase inicial, aeroportos podem enfrentar filas maiores, com o tempo de controle de fronteira podendo ser 1,5 a 3 vezes maior que o usual. Durante os primeiros 180 dias, carimbos manuais continuarão sendo usados como respaldo em caso de falhas técnicas.
Integração com o ETIAS
O EES prepara o terreno para o ETIAS, a nova autorização eletrônica de viagem que entrará em vigor no final de 2026.
Este sistema verificará automaticamente o histórico do viajante no EES antes de conceder a autorização, cujo custo será de €20, promovendo maior controle e segurança nas fronteiras europeias.
Dicas para os viajantes se prepararem
Para evitar transtornos, especialistas recomendam:
- Checar se o passaporte é legível por máquina e válido por pelo menos três meses após a saída;
- Calcular com precisão os dias de permanência no espaço Schengen;
- Chegar com antecedência aos aeroportos, especialmente no período inicial de operação (outubro/25 a abril/26);
- Levar documentação que comprove o propósito da viagem;
- Utilizar sempre o mesmo passaporte para entradas e saídas, principalmente em casos de dupla nacionalidade.
Caminho para uma fronteira segura
Embora os primeiros meses exijam paciência dos viajantes, o EES representa um avanço significativo na gestão de fronteiras europeias, conciliando tecnologia, segurança e eficiência.
Ao eliminar o carimbo físico, o sistema moderniza a experiência de milhões de turistas e cria a base para um espaço Schengen ainda mais integrado e seguro.






