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IBGE revelou qual cidade leva mais tempo para brasileiros chegarem ao trabalho

Por Leticia Florenço
15/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Metrô - Reprodução/iStock

Metrô - Reprodução/iStock

O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE, trouxe dados surpreendentes sobre o tempo que os brasileiros passam no deslocamento diário até o trabalho, mostrando que a mobilidade urbana ainda é um dos maiores desafios do país.

Segundo o levantamento, 1,3 milhão de pessoas gastam mais de duas horas para chegar ao emprego, um número que evidencia tanto a extensão das cidades quanto a falta de infraestrutura adequada de transporte.

O estudo também revelou que trajetos longos não afetam igualmente todos os brasileiros, há diferenças entre regiões, cidades, renda, escolaridade e até mesmo raça.

Nas grandes metrópoles, o impacto é mais sentido, com congestionamentos e transporte público sobrecarregado, enquanto em municípios menores, o percurso tende a ser mais curto, embora ainda haja desafios.

Essa realidade coloca em evidência desigualdades históricas no acesso ao transporte e à qualidade de vida, tornando urgente a necessidade de políticas públicas eficazes que reduzam o tempo de deslocamento, aumentem a segurança e promovam alternativas mais sustentáveis para os trabalhadores.

Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro lidera o ranking nacional. Entre municípios com mais de 100 mil habitantes, 11 das 20 cidades com os maiores tempos de deslocamento estão no estado fluminense.

Em Queimados, na Baixada Fluminense, 12,5% dos trabalhadores levam mais de duas horas para chegar ao trabalho. Na capital, o índice é de 5,6%, ainda acima da média nacional de 1,8%.

São Paulo

Embora a proporção de trabalhadores com trajetos longos seja menor que no Rio, São Paulo registra números maiores: 151.690 pessoas gastam mais de duas horas no deslocamento.

Na capital paulista, 3,4% dos trabalhadores enfrentam trajetos superiores a duas horas, e 27,9% levam mais de uma hora, contra 29,8% no Rio.

Média nacional

Apesar dos casos extremos, a maior parte da população gasta pouco tempo no percurso. No país, 57% das pessoas levam entre seis minutos e meia hora. No Sudeste, a proporção cai para 53%, e nas grandes capitais, apenas 36% têm trajetos curtos.

Isso evidencia que cidades maiores concentram deslocamentos mais longos, refletindo problemas como trânsito e transporte público insuficiente.

Desigualdade e transporte

O tempo de deslocamento varia conforme renda, raça e escolaridade. Trabalhadores com menor renda passam mais tempo no transporte. Entre pessoas negras, 16,4% levam pelo menos uma hora, enquanto entre indígenas o índice é de 12,2% e entre brancos, 10,4%.

Quem tem ensino superior completo usa carro em 57,8% dos casos, enquanto quem tem apenas ensino médio cai para 28,6%. Já os com ensino fundamental ou sem instrução usam mais a pé, com 25,6%.

Meios de transporte

O carro é o principal meio de transporte no país, usado por 32% da população (22,6 milhões). Entre pessoas brancas, 42,9% usam carro; entre pretas, a proporção cai para metade, enquanto o ônibus se torna o principal meio para 29% da população negra.

Quanto ao tempo de deslocamento, 70% dos usuários de ônibus gastam pelo menos meia hora, e mais da metade dos usuários de metrô ou trem (52,2%) leva mais de uma hora para chegar ao trabalho.

O estudo do IBGE mostra que trajetos longos não dependem apenas da distância, mas de infraestrutura urbana, segregação social e desigualdade econômica.

No entanto, trajetos longos impactam diretamente tempo livre, saúde e qualidade de vida, reforçando a urgência de políticas de mobilidade mais justas e eficientes.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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