O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE, trouxe dados surpreendentes sobre o tempo que os brasileiros passam no deslocamento diário até o trabalho, mostrando que a mobilidade urbana ainda é um dos maiores desafios do país.
Segundo o levantamento, 1,3 milhão de pessoas gastam mais de duas horas para chegar ao emprego, um número que evidencia tanto a extensão das cidades quanto a falta de infraestrutura adequada de transporte.
O estudo também revelou que trajetos longos não afetam igualmente todos os brasileiros, há diferenças entre regiões, cidades, renda, escolaridade e até mesmo raça.
Nas grandes metrópoles, o impacto é mais sentido, com congestionamentos e transporte público sobrecarregado, enquanto em municípios menores, o percurso tende a ser mais curto, embora ainda haja desafios.
Essa realidade coloca em evidência desigualdades históricas no acesso ao transporte e à qualidade de vida, tornando urgente a necessidade de políticas públicas eficazes que reduzam o tempo de deslocamento, aumentem a segurança e promovam alternativas mais sustentáveis para os trabalhadores.
Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro lidera o ranking nacional. Entre municípios com mais de 100 mil habitantes, 11 das 20 cidades com os maiores tempos de deslocamento estão no estado fluminense.
Em Queimados, na Baixada Fluminense, 12,5% dos trabalhadores levam mais de duas horas para chegar ao trabalho. Na capital, o índice é de 5,6%, ainda acima da média nacional de 1,8%.
São Paulo
Embora a proporção de trabalhadores com trajetos longos seja menor que no Rio, São Paulo registra números maiores: 151.690 pessoas gastam mais de duas horas no deslocamento.
Na capital paulista, 3,4% dos trabalhadores enfrentam trajetos superiores a duas horas, e 27,9% levam mais de uma hora, contra 29,8% no Rio.
Média nacional
Apesar dos casos extremos, a maior parte da população gasta pouco tempo no percurso. No país, 57% das pessoas levam entre seis minutos e meia hora. No Sudeste, a proporção cai para 53%, e nas grandes capitais, apenas 36% têm trajetos curtos.
Isso evidencia que cidades maiores concentram deslocamentos mais longos, refletindo problemas como trânsito e transporte público insuficiente.
Desigualdade e transporte
O tempo de deslocamento varia conforme renda, raça e escolaridade. Trabalhadores com menor renda passam mais tempo no transporte. Entre pessoas negras, 16,4% levam pelo menos uma hora, enquanto entre indígenas o índice é de 12,2% e entre brancos, 10,4%.
Quem tem ensino superior completo usa carro em 57,8% dos casos, enquanto quem tem apenas ensino médio cai para 28,6%. Já os com ensino fundamental ou sem instrução usam mais a pé, com 25,6%.
Meios de transporte
O carro é o principal meio de transporte no país, usado por 32% da população (22,6 milhões). Entre pessoas brancas, 42,9% usam carro; entre pretas, a proporção cai para metade, enquanto o ônibus se torna o principal meio para 29% da população negra.
Quanto ao tempo de deslocamento, 70% dos usuários de ônibus gastam pelo menos meia hora, e mais da metade dos usuários de metrô ou trem (52,2%) leva mais de uma hora para chegar ao trabalho.
O estudo do IBGE mostra que trajetos longos não dependem apenas da distância, mas de infraestrutura urbana, segregação social e desigualdade econômica.
No entanto, trajetos longos impactam diretamente tempo livre, saúde e qualidade de vida, reforçando a urgência de políticas de mobilidade mais justas e eficientes.






