O clássico paraquedas, com seu amplo hemisfério de tecido projetado para reduzir a velocidade de queda de pessoas e cargas, pode ganhar um sucessor inovador. Pesquisadores do Canadá e da França, sob a liderança de Danick Lamoureux, criaram um novo modelo inspirado no kirigami, técnica japonesa que transforma materiais por meio de cortes e dobras em estruturas tridimensionais sofisticadas.
Ao aplicar o kirigami ao controle do fluxo de ar, a equipe desenvolveu um paraquedas totalmente diferente: em vez do tecido inflado tradicional, a nova estrutura é composta por múltiplos vazios que permitem a passagem ordenada do ar, mostrando desempenho superior ao dos modelos convencionais.
Novo paraquedas
Antes restrito à transformação de chapas planas em formas tridimensionais com curvaturas programadas, o kirigami passou a ser explorado para projetar novos tipos de paraquedas balísticos, aproveitando sua capacidade de adaptação ao fluxo de ar.
Testes em túnel de vento e experimentos ao ar livre demonstraram a eficácia do conceito: ao ser lançado, o padrão de kirigami se deforma, assumindo uma configuração semelhante a um sino invertido, que estabiliza o fluxo de ar e permite que a carga desça verticalmente, com desvios laterais mínimos.
Esse comportamento difere dos paraquedas tradicionais, que precisam planar em ângulo para evitar colapsos e turbulências, o que frequentemente afasta a carga do alvo, um problema relevante em entregas humanitárias e operações com drones.
Segredo de fabricação
O diferencial do novo paraquedas está no padrão de cortes cuidadosamente projetados: discos flexíveis com fendas circunferenciais inspiradas no kirigami, nos quais a carga é posicionada no centro. Essa configuração cria vórtices estabilizadores que, embora similares aos observados na natureza, atuam de forma invertida em relação às sementes, guiando a carga diretamente ao alvo.
Além da precisão, o modelo se destaca pela simplicidade e baixo custo de fabricação, podendo ser produzido com folhas de plástico, papel ou papelão desde que possuam rigidez adequada. Em testes práticos, uma garrafa de água lançada de um drone a 60 metros caiu verticalmente e com segurança, mantendo velocidade terminal comparável à de paraquedas convencionais.






