Cientistas da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, desenvolveram uma técnica de engenharia de materiais que permite ao alumínio manter a capacidade de flutuar mesmo após longos períodos submerso ou diante de danos físicos.
O resultado foi apresentado em artigo científico publicado na revista Advanced Functional Materials, sob liderança do físico e pesquisador em óptica Chunlei Guo. A tecnologia utiliza tratamento químico e processamento a laser na parte interna de tubos de alumínio para criar micro e nanoestruturas.
Esse processo transforma o material em super-hidrofóbico, tornando-o altamente resistente ao contato com a água. Como consequência, a água não consegue ocupar o espaço interno do tubo, preservando o ar aprisionado e mantendo a flutuabilidade da estrutura.
Design hidrofóbico
Ao ser colocado na água, o tubo modificado retém uma bolsa de ar estável em seu interior, que atua como uma barreira contra a infiltração de água.
O conceito hidrofóbico se aproxima de estratégias biológicas observadas em espécies como a aranha-d’água, que mantém uma reserva de ar para permanecer submersa, e as formigas-de-fogo, capazes de formar estruturas flutuantes em situações de inundação.
O desenvolvimento também incorpora divisórias internas projetadas para evitar a perda desse ar mesmo sob compressão ou quando o tubo é forçado verticalmente para dentro da água.
Testes realizados em laboratório e em cenários com forte agitação mostraram que a capacidade de flutuação pode ser preservada por semanas, inclusive em tubos com múltiplas perfurações — um comportamento atípico em tecnologias tradicionais de flutuabilidade.
Avanço da engenharia naval
A pesquisa avança sobre experimentos de 2019, que utilizavam discos super-hidrofóbicos selados. O formato tubular atual oferece maior estabilidade hidrodinâmica e resistência a inclinações e turbulências, ampliando o uso em ambientes marítimos reais.
Entre as aplicações estão estruturas flutuantes modulares, como plataformas, boias, embarcações e sistemas de geração de energia por ondas. O método também pode ser escalado para suportar cargas maiores.
O avanço reforça o potencial da engenharia naval ao integrar física de superfícies, biomimética e engenharia de materiais para aprimorar a segurança e a eficiência de estruturas flutuantes.






