Pesquisas desenvolvidas por universidades nos Estados Unidos têm explorado a capacidade de cães em detectar precocemente o câncer. Evidências experimentais mostram que animais treinados conseguem identificar compostos orgânicos voláteis emitidos por tumores, presentes em amostras de sangue, urina e até no hálito.
Em um estudo específico da Universidade da Pensilvânia, publicado na revista The Veterinary Journal, os pesquisadores avaliaram a habilidade de cães treinados em reconhecer o hemangiossarcoma, um tipo de câncer agressivo em cães, conhecido por seu rápido desenvolvimento clínico.
Faro de cães pra detecção de câncer
Nos experimentos conduzidos por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, sob protocolo duplo-cego — que impede que treinadores e avaliadores conheçam previamente a origem das amostras — os cachorros foram expostos a diferentes materiais biológicos:
- Amostras de cães saudáveis;
- Amostras de cães com outras enfermidades;
- Amostras de cães diagnosticados com hemangiossarcoma.
Em um dos testes, uma cadela treinada atingiu cerca de 70% de acerto na identificação de amostras positivas para a doença, demonstrando potencial diagnóstico relevante, embora ainda limitado para uso clínico isolado.
O interesse científico nessa área se deve à capacidade olfativa extraordinária dos cães, que possuem centenas de milhões de receptores olfativos, tornando-os altamente sensíveis a alterações químicas mínimas.
Além disso, estudos indicam que cachorros podem detectar diferentes tipos de câncer humano — como pulmão, bexiga, ovário e pâncreas — por meio de compostos orgânicos voláteis presentes em sangue, urina ou hálito, reforçando o potencial da biodetecção para diagnósticos precoces.
Biodetecção
Pesquisas e iniciativas tecnológicas têm buscado transformar a biodetecção canina em soluções escaláveis, combinando o olfato dos cães com inteligência artificial para analisar padrões comportamentais e aumentar a precisão dos resultados.
Testes com análise de hálito humano, por exemplo, mostram altas taxas de detecção ao integrar percepção canina e análise computacional de dados fisiológicos.
Apesar dos avanços, desafios permanecem, incluindo padronização metodológica, identificação precisa dos compostos químicos e reprodutibilidade em larga escala. Ainda assim, os achados reforçam o potencial da área para o desenvolvimento de métodos não invasivos de triagem e diagnóstico precoce de câncer.






