A partir de 1º de fevereiro de 2026, a agência climática dos Estados Unidos, a NOAA, passou a usar uma nova régua para identificar os eventos de El Niño e La Niña. O chamado Índice Oceânico Niño Relativo (RONI, na sigla em inglês) substitui o método tradicional (agora rebatizado de TONI) utilizado há décadas, com o objetivo de corrigir distorções provocadas pelo aquecimento global nos diagnósticos do fenômeno.
A mudança parte de um problema concreto: com o aquecimento de fundo dos oceanos, reflexo das mudanças climáticas de origem humana, a real magnitude dos eventos vinha sendo obscurecida, prejudicando previsões operacionais e a avaliação de riscos climáticos associados.
O método anterior comparava a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico central, com uma média histórica fixa. O novo índice mantém a mesma área de referência, mas desconta a anomalia média de todos os oceanos tropicais antes de classificar o evento. Na prática, o Pacífico passa a ser avaliado em relação ao restante dos trópicos — e é justamente esse contraste que governa as alterações na circulação atmosférica e nos regimes de chuva mundo afora.
Nova metodologia pro El Niño e La Niña
As consequências práticas já são visíveis no registro histórico. O inverno de 2024-25, por exemplo, passou a ser classificado como La Niña após ter ficado ligeiramente abaixo do limiar no índice tradicional, enquanto o El Niño de 2023-24 foi rebaixado de forte para moderado. Dois episódios de La Niña antes considerados fracos (2016-17 e 2017-18) foram promovidos a moderados.
Austrália e Nova Zelândia já haviam adotado o RONI, e a Índia estuda seguir o mesmo caminho. A NOAA garantiu que continuará atualizando o índice antigo para preservar a continuidade das séries históricas utilizadas por pesquisadores e meteorologistas.
- O RONI utiliza uma abordagem relativa para reduzir distorções causadas pelo aquecimento global.
- O índice não analisa apenas a anomalia de temperatura na região Niño 3.4.
- O cálculo considera a anomalia média da temperatura da superfície do mar em todos os oceanos tropicais, entre cerca de 20°N e 20°S.
- A metodologia busca isolar o sinal específico do ENSO e diminuir a interferência do aquecimento global na análise.
- Os critérios de classificação permanecem semelhantes aos do método anterior.
- Os limites de aproximadamente ±0,5 °C continuam sendo usados para identificar El Niño e La Niña ao longo de períodos consecutivos.
- A nova metodologia tende a reavaliar o histórico climático recente.
- Alguns eventos históricos de El Niño podem ter a intensidade reduzida.
- Episódios de La Niña antes considerados marginais podem passar a ser reconhecidos com mais clareza.






