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Nova lei vai deixar muitos brasileiros sem energia durante a noite

Por Leticia Florenço
24/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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sem energia

Queda de energia - Foto: (Imagem/Reprodução)

Os estudos iniciados pela ANEEL para implantar a tarifa horária representam uma das mudanças mais profundas no consumo de energia no Brasil.

A proposta deixa claro que a eletricidade deixará de ter um valor fixo ao longo do dia, passando a seguir a lógica do sistema, barata quando há abundância e cara quando a produção está pressionada.

Para a maioria dos brasileiros, isso significa que justamente o período em que mais se usa energia, o início da noite, pode se tornar o mais oneroso. A discussão ainda está em fase inicial, mas já provoca preocupação, especialmente para quem depende de eletrodomésticos intensivos após o pôr do sol.

O horário crítico que pode surpreender o consumidor

A transformação parte de uma realidade tecnológica, o Brasil hoje é fortemente abastecido por energia solar e eólica, fontes que oscilam ao longo do dia. Entre 10h e 14h, o sistema recebe uma enxurrada de energia solar, derrubando o custo de geração.

Entre 18h e 21h, porém, o cenário se inverte. A demanda do país atinge o pico e a produção solar praticamente desaparece, obrigando o acionamento de usinas mais caras. A tarifa horária apenas tornará visível na conta de luz esse movimento que já existe nos bastidores da operação elétrica.

Quem será o primeiro a sentir os efeitos da mudança

O novo modelo começa por um público específico, formado por consumidores que utilizam mais de 1.000 kWh por mês. Esse grupo soma cerca de 2,5 milhões de unidades, entre grandes residências, comércios e serviços, e responde por um quarto de todo o consumo de baixa tensão no país.

Diferente da Tarifa Branca, que era opcional, essa nova modalidade será automática para esse segmento, o que significa que a mudança será inevitável para quem consome muito.

Com tarifas diferentes para cada período, o incentivo será para que atividades de alto consumo migrem para horários mais baratos. Carregar carros elétricos, ligar bombas de piscina, manter ar-condicionado em potência máxima, usar máquinas de secar ou aquecedores, tudo isso terá um peso maior se feito ao anoitecer.

Para quem conseguir reorganizar o uso, haverá chance real de economia. Para quem não conseguir, a conta tende a subir. O movimento também beneficia o próprio sistema elétrico, que passa a operar com menos sobrecarga e pode adiar investimentos caros em infraestrutura.

A chegada dos medidores inteligentes

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A implantação dessa transformação exige uma mudança física nas casas e estabelecimentos. As distribuidoras terão de instalar medidores modernos capazes de registrar o consumo de energia hora a hora.

Esses equipamentos fazem parte dos planos de modernização das redes e serão incorporados aos custos regulatórios, como já ocorre com outros investimentos.

Além disso, as empresas deverão orientar o consumidor sobre o funcionamento da modalidade, já que entender os horários corretos será essencial para controlar gastos.

O caminho até 2026

A proposta será colocada em Consulta Pública antes de entrar em vigor, permitindo que especialistas, empresas e a população contribuam com ajustes. A expectativa é que o novo sistema comece a valer em 2026 para o público de alto consumo, podendo depois se expandir para outras faixas.

Se confirmada, essa mudança representará um novo comportamento de uso energético no país: luz mais barata durante o dia, quando as fontes limpas são abundantes, e luz mais cara à noite, quando o sistema enfrenta seu maior desafio de oferta.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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