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Múmias com DNAs diferente dos humanos atuais são encontradas

Por Leticia Florenço
07/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: cfeelings

Foto: cfeelings

O deserto do Saara, muitas vezes associado apenas ao clima árido e à imensidão de dunas, revelou um segredo impressionante com a descoberta de duas múmias com cerca de 7.000 anos no abrigo rochoso de Takarkori, no sudoeste da Líbia.

Pertencentes a pastores neolíticos que viveram durante o Período Úmido Africano, essas múmias oferecem pistas únicas sobre um grupo humano com uma linhagem genética até então desconhecida.

As análises conduzidas pela arqueogeneticista Nada Salem, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, mostraram que a maior parte da ascendência das múmias de Takarkori provém de uma linhagem diferente das já conhecidas.

Esses indivíduos se separaram das populações subsaarianas há milhares de anos e permaneceram isolados, formando uma ramificação independente na árvore genealógica da humanidade.

Relações com os habitantes de Taforalt

Os estudos revelam que os Takarkori tinham parentesco com os coletores da caverna de Taforalt, no Marrocos, que viveram cerca de 15.000 anos atrás. Apesar da relação genética, havia baixo fluxo entre os grupos do norte e do sul da África.

Uma curiosidade é que os Taforalt apresentavam maior quantidade de genes neandertais, enquanto os Takarkori tinham níveis menores, mas ainda acima dos grupos subsaarianos da época.

Agricultura

Durante muito tempo, acreditava-se que a agricultura havia se espalhado pelo Saara através de grandes migrações populacionais.

No entanto, a pesquisa indica que esse processo ocorreu principalmente pela transmissão cultural, quando diferentes comunidades compartilharam conhecimentos de forma independente, sem a necessidade de miscigenação em larga escala.

Isso mostra a importância do intercâmbio de práticas e ideias entre os povos do Saara Verde.

O isolamento dos Takarkori

A diversidade ambiental da região durante o Período Úmido Africano foi determinante para o isolamento desse grupo. Lagos, pântanos, montanhas e florestas funcionaram como barreiras naturais, limitando o contato com outras populações.

Esse isolamento explica a singularidade genética dos Takarkori. Além disso, sua capacidade de produzir cerâmicas e ferramentas os tornou autossuficientes, garantindo sua sobrevivência em um território dinâmico e mutável.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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