Uma mulher que seria testemunha-chave em uma investigação sobre o desvio de R$ 27 milhões em recursos públicos foi assassinada a tiros poucas horas após comparecer a uma delegacia, onde prestaria depoimento.
O crime ocorreu na cidade de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, e está sendo tratado como homicídio. Já o depoimento, nunca chegou a acontecer.
Mulher depõe sobre desvio de R$ 27 milhões e é morta horas depois
A mulher assassinada é Simone Marques, de 46 anos. Ela era professora universitária e havia sido convocada a falar sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo emendas parlamentares da Câmara Municipal de Ipojuca.
Os recursos, que deveriam ter sido aplicados em ações sociais e educacionais, segundo os investigadores, nunca chegaram ao destino final.
Simone esteve na Delegacia de Porto de Galinhas na tarde da última terça-feira, 28 de outubro, acompanhada de um advogado.
Apesar de ter comparecido conforme solicitado, ela não chegou a ser ouvida naquele momento porque outro depoimento estava em andamento. O depoimento foi remarcado para o dia seguinte.
Menos de quatro horas depois de deixar a delegacia, Simone foi assassinada no quintal da casa onde morava com os pais, na Rua Ana Maria Dourado, no centro de Ipojuca. A Polícia Militar foi chamada por vizinhos após ouvirem disparos de arma de fogo. A vítima foi encontrada já sem vida.
A Força-Tarefa de Homicídios da Região Metropolitana Sul assumiu a investigação e trabalha para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime, que até o momento é tratado como execução.
Mulher assassinada trabalhava em instituição mencionada nas investigações
O nome de Simone apareceu na investigação por causa de sua ligação com a Faculdade Novo Horizonte, também conhecida como Inesp (Instituto Nacional de Ensino, Sociedade e Pesquisa), uma das entidades mencionadas na apuração como beneficiária de verbas públicas por meio de convênios.
O caso está sendo investigado no âmbito da Operação Alvitre, deflagrada no início de outubro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Pernambuco, através do Gaeco.
A operação revelou um esquema no qual emendas parlamentares, obrigatoriamente destinadas a áreas como saúde e educação, foram desviadas para instituições suspeitas de serem de fachada. Até o momento, três mulheres foram presas e quatro homens seguem foragidos.
A atual gestão municipal afirma que os fatos envolvem apenas a administração anterior, encerrada em 2024, e garante colaboração total com as autoridades.






