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Moradores viajam para sacar dinheiro após fechamento de 36 agências

Por Leticia Florenço
05/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Caixa Eletrônico - Reprodução/iStock

Caixa Eletrônico - Reprodução/iStock

Até 2018, os moradores de Olindina, cidade com cerca de 22,6 mil habitantes no nordeste da Bahia, contavam com opções relativamente acessíveis para realizar saques e outras operações financeiras: duas agências bancárias oficiais e uma casa lotérica.

Além disso, existiam os chamados “pontos de saque”, locais informais onde comerciantes locais faziam a intermediação para sacar dinheiro, em uma espécie de parceria não oficial com bancos.

No entanto, desde então, o cenário mudou drasticamente: o Banco do Brasil fechou sua agência, e agora, em 2025, o Bradesco anunciou o encerramento das suas operações na cidade, deixando os moradores sem nenhuma agência bancária presencial.

Esse fenômeno não é isolado, mas uma realidade que se espalha por várias cidades do interior da Bahia e de outras regiões do país.

Consequências diretas para a população local

A ausência de agências físicas causa um impacto imediato na vida da população, especialmente nos grupos mais vulneráveis:

  • Fila nas lotéricas e pontos de saque: Com a lotérica como única alternativa formal, as filas crescem, e o atendimento não consegue absorver toda a demanda.
  • Informalidade e limitação nos saques: Nos pontos de saque, por exemplo, se um morador deseja sacar R$ 1 mil, mas o comércio só tem R$ 500 em caixa, é preciso aguardar que novos pagamentos sejam realizados para completar o valor. Isso cria dificuldades e insegurança no acesso ao dinheiro.
  • Deslocamento para cidades vizinhas: Para sacar aposentadorias ou realizar outras operações, os moradores precisam viajar dezenas de quilômetros, no caso de Olindina, até Itapicuru, que fica a 19 km de distância.
  • Exclusão digital e dificuldades de acesso online: Muitos moradores, principalmente os idosos (que representam cerca de 21% da população local), têm pouca familiaridade com aplicativos bancários. Além disso, a baixa qualidade da conexão à internet dificulta ainda mais o acesso aos serviços digitais, agravando a exclusão financeira.

Motivações do fechamento

Entre outubro de 2023 e março de 2025, o Bradesco fechou 36 unidades no interior da Bahia, incluindo agências e pontos de atendimento, em um processo que vem se intensificando desde 2014.

O banco alega que o movimento faz parte de uma estratégia de reestruturação para reduzir custos e aumentar a rentabilidade, aproveitando o crescimento do uso de canais digitais para a maioria das transações.

  • Redução de custos e aumento da eficiência: O Bradesco afirma que 99% das transações hoje são realizadas via digital, e que a base de clientes cresceu, mas sem necessidade de manter tantas agências físicas.
  • Reorganização interna e demissões: O fechamento das agências envolve realocação de funcionários, mas inevitavelmente provoca demissões. Mais de 50 trabalhadores foram dispensados só no último semestre.

Cidades baianas onde o Bradesco encerrou agências ou postos de atendimento

Segundo informações do Sindicato dos Bancários da Bahia, entre outubro de 2023 e março de 2025, o banco fechou unidades em várias cidades do estado.

Abaixo, uma lista das cidades baianas onde o Bradesco encerrou suas agências ou pontos de atendimento:

  • Antas
  • Banzaê
  • Sítio do Quinto
  • Coronel João Sá
  • Itaite
  • São Félix do Coribe
  • Javi
  • Ibitiara
  • Mucugê
  • Abaíra
  • Barra do Rocha
  • Gongogi
  • Nova Soure
  • Itapicuru
  • Botuporã
  • Valente
  • Barrocas
  • Lamarão
  • Boninal
  • Cairu
  • Igrapiúna
  • Wenceslau Guimarães
  • Laje
  • Adustina
  • Novo Triunfo
  • Heliópolis
  • Vera Cruz
  • Palmeiras
  • Rodelas
  • Ipacaetá
  • Serra do Ramalho
  • Serra Dourada
  • Inhambupe
  • Paripiranga
  • Paratinga
  • São Felipe

Esses fechamentos têm gerado preocupação entre os moradores, especialmente em comunidades onde o Bradesco era a única instituição bancária presente, obrigando os clientes a se deslocarem para municípios vizinhos para acessar serviços bancários essenciais.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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