Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo no último domingo (27) revelou uma prática preocupante na região amazônica: missionários evangélicos norte-americanos têm utilizado rádios para evangelizar comunidades indígenas, incluindo povos isolados.
Esses aparelhos, distribuídos de forma clandestina em áreas remotas, transmitem mensagens bíblicas em português e espanhol, com conteúdo religioso cristão.
O uso desse tipo de equipamento reacendeu o alerta entre especialistas e autoridades brasileiras, que veem na ação um risco grave à saúde e à integridade cultural desses povos.
Missionários usam rádios para evangelizar indígenas nas aldeias
O dispositivo usado pelos missionários é conhecido como “Messenger”, um pequeno reprodutor de áudio movido a energia solar.
Desenvolvido pela organização batista norte-americana In Touch Ministries, o aparelho não depende de conexão com a internet ou eletricidade e funciona como uma espécie de rádio portátil.
De acordo com a reportagem, esses equipamentos foram encontrados recentemente em aldeias da região do Vale do Javari, uma das áreas com maior concentração de povos indígenas isolados do mundo, incluindo o povo Korubo.
Embora a organização afirme que respeita as restrições impostas pela legislação brasileira, há evidências de que os dispositivos estão chegando justamente onde sua presença é proibida.
A Constituição e políticas públicas específicas determinam que o contato com povos isolados só pode ocorrer por iniciativa deles próprios, como forma de protegê-los de doenças às quais não têm imunidade, além de preservar suas culturas e modos de vida.
Ainda assim, relatos apontam que além dos rádios, drones, hidroaviões e até mesmo armas têm sido usados em incursões não autorizadas para tentar alcançar essas populações.
Intervenção de missionários em povos indígenas isolados ameaça saúde e cultura desses povos
A Funai e o Ministério Público Federal acompanham os casos com preocupação. Há registros de missionários se aproximando de aldeias, realizando batismos e tentando construir igrejas em territórios protegidos.
Um dos episódios relatados envolveu um homem identificado como missionário que foi encontrado interagindo com indígenas e mapeando trilhas próximas a grupos isolados.
É importante destacar que as ações missionárias, travestidas de ajuda humanitária com a oferta de poços artesianos e painéis solares, têm o potencial de provocar choques culturais profundos e irreversíveis.
Líderes indígenas e organizações da região denunciam que a presença de evangelizadores ameaça não apenas a saúde física dessas comunidades, mas também sua autonomia espiritual e identidade ancestral.





