Em entrevista ao The Telegraph, publicada nesta quarta-feira (24), Michele Bolsonaro admitiu pela primeira vez que pode disputar a Presidência da República caso “seja da vontade de Deus”.
A declaração surpreende o cenário político brasileiro, especialmente após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e sua condenação pelo STF a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Declaração de força e fé
“Me levantarei como uma leoa para defender nossos valores conservadores, a verdade e a justiça. Se, para cumprir a vontade de Deus, for necessário que eu assuma a candidatura política, estarei pronta”, disse Michele.
O discurso evidencia uma tentativa de se consolidar como líder do campo conservador, unindo discurso religioso à promessa de continuidade do legado político da família Bolsonaro.
Pesquisas mostram potencial competitivo
Segundo dados do Datafolha, em um eventual segundo turno contra Lula, Michele teria 40% das intenções de voto, contra 48% do ex-presidente. O desempenho supera o dos filhos do ex-presidente, Eduardo e Flávio Bolsonaro, que perderiam para Lula com margens maiores.
Esse cenário coloca Michele como uma opção viável para a direita, sobretudo considerando a ausência do ex-presidente.
Chapa possível com Tarcísio de Freitas
O nome de Michele também aparece em discussões sobre uma chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, seja como cabeça ou vice.
Até então, ela havia sinalizado intenção de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal, transferindo seu título em julho, o que demonstra uma estratégia de fortalecimento político gradual.
Resistências internas e cautela de Jair Bolsonaro
Apesar da pressão de aliados, Jair Bolsonaro tem resistido à ideia de colocar Michele como candidata ao Planalto. Entre as razões apontadas estão:
- Experiência limitada para debates sobre economia e segurança pública;
- Campanha presidencial considerada “muito dura”;
- Prioridade em formar uma bancada forte no Senado para enfrentar o STF.
Discurso religioso e crítico ao STF
A ex-primeira-dama reforçou sua identidade conservadora e evangélica, acusando o STF de perseguição política:
“O julgamento de Jair e outros inocentes foi uma farsa judicial. […] Essa perseguição covarde não destruirá minha família.” Além disso, criticou Lula e Alexandre de Moraes pelas sanções recentes dos Estados Unidos, que incluíram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Com a ausência do ex-presidente, ela se torna uma das peças centrais da sucessão presidencial de 2026, podendo influenciar diretamente o futuro da direita no Brasil.






