Embora seja uma substância legalizada e amplamente presente no cotidiano, o álcool figura como a droga mais nociva entre as analisadas por um estudo da Imperial College de Londres, conforme mencionado pelo psiquiatra Dartiu Xavier em entrevista ao videocast Alt Tabet, do Canal UOL.
A pesquisa avaliou o grau de prejuízo causado por diferentes substâncias psicoativas, considerando critérios físicos, psicológicos e sociais. Nessa escala de danos, que vai de 0 a 100, o álcool atingiu a pontuação mais elevada: 75 — um índice superior ao registrado por drogas como cocaína (com menos de 40 pontos) e maconha (20 pontos), por exemplo.
Álcool e outras drogas
Segundo Xavier, os efeitos do álcool ultrapassam os limites do corpo e comprometem também as relações sociais dos usuários. Ele explicou que, a cada 100 pessoas que consomem bebidas alcoólicas, cerca de 15 se tornam dependentes. Ainda assim, o consumo segue amplamente aceito e banalizado, o que reduz a percepção coletiva sobre seus riscos e contribui para a escassez de políticas públicas eficazes de enfrentamento e prevenção.
O estudo citado por Xavier também avaliou substâncias psicodélicas, como LSD, cogumelos com psilocibina, DMT e ayahuasca, que demonstraram menor potencial de dependência e danos físicos. O LSD, por exemplo, provoca alterações sensoriais intensas, mas não causa dependência química. A ayahuasca, usada tradicionalmente por povos indígenas, também foi considerada segura, desde que administrada com acompanhamento, especialmente em pessoas com transtornos mentais.
Como tratar a dependência?
Além da análise sobre os impactos das substâncias, Xavier também abordou a questão da internação compulsória de dependentes químicos, cuja eficácia é considerada extremamente limitada. Segundo o psiquiatra, mais de 90% das pessoas submetidas a esse tipo de internação recaem após a alta, o que evidencia a fragilidade da abordagem forçada como estratégia de reabilitação.
Em contrapartida, ele destacou os avanços das pesquisas com psicodélicos no tratamento de condições como depressão resistente, dependência alcoólica e transtornos decorrentes de traumas. Ainda que essas abordagens estejam em fase experimental e restritas ao ambiente acadêmico no Brasil, os resultados iniciais têm se mostrado promissores, sinalizando um possível caminho alternativo para o cuidado em saúde mental.





