O valor do salário pago a servidores públicos, especialmente aos políticos eleitos, costuma gerar debates acalorados. Nem sempre o assunto envolve grandes capitais ou administrações com orçamento robusto.
Prova disso é um episódio recente ocorrido em uma pequena cidade do nordeste de Santa Catarina, onde o prefeito filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, pode passar a receber o maior salário municipal do país caso um projeto apresentado pelo Legislativo local avance.
Maior salário de prefeito pode ser de gestor do PL do interior de Santa Catarina
A discussão gira em torno de Plotino de Bitencourt, prefeito de Garuva, município com pouco mais de 18 mil moradores.
Hoje, o chefe do Executivo recebe 30.390 reais por mês. A proposta em análise na Câmara de Vereadores prevê que esse valor suba para 42.390 reais, um salto de quase quarenta por cento.
A autoria do projeto é dos vereadores Reginaldo Mews Rosa, também do PL, e Helena Aparecida Costa Chaves, do Podemos. Eles afirmam que o aumento não é motivado por questões pessoais, mas por um problema administrativo.
Segundo os parlamentares, médicos da rede municipal estariam deixando seus cargos devido à defasagem salarial. Como nenhum servidor pode ganhar mais que o prefeito, a solução sugerida seria elevar o teto da remuneração do Executivo para permitir reajustes aos profissionais da saúde.
Caso o novo valor fosse confirmado, Garuva superaria cidades muito mais populosas e com economias fortes.
São Paulo, maior município do país, paga cerca de 38 mil reais ao prefeito. Em Palmas, Porto Velho, Florianópolis e Rio de Janeiro, os vencimentos ficam na casa dos 35 a 37 mil reais.
O montante proposto para Garuva ultrapassaria todos esses números, criando uma situação incomum: um município pequeno, sem grande protagonismo econômico, com o maior salário de prefeito do Brasil.
Aumento de salário para o prefeito de Garuva gerou reações negativas
A apresentação do projeto provocou forte reação entre os vereadores e gerou uma sessão marcada por discussões, acusações e até a renúncia do vice-presidente da Mesa Diretora, Marcelino Martins do Nascimento, do MDB.
Ele afirmou que respeita os profissionais da saúde, mas considera inadequado elevar o salário do prefeito nesse momento. Já Reginaldo Mews Rosa criticou colegas que, segundo ele, teriam recuado após a repercussão negativa entre os moradores.
A pressão foi tão intensa que o próprio prefeito pediu que a proposta fosse retirada antes de chegar ao seu gabinete.
Plotino declarou ser contrário ao reajuste e afirmou que vetaria a medida se ela fosse aprovada, o que aumenta ainda mais a possibilidade de arquivamento do projeto.






