Na noite da última quinta-feira, 16 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso contundente contra o uso excessivo do celular, durante a abertura do 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PC do B).
Em tom crítico, Lula chamou a atenção para o que considera um comportamento generalizado de dependência digital, destacando como exemplo o hábito diário de enviar mensagens de “bom dia” em grupos de WhatsApp, o que, segundo ele, revela uma compulsão por interações constantes e muitas vezes desnecessárias.
Lula critica quem diz “bom dia” no grupo de WhatsApp
O presidente afirmou que o uso abusivo dos dispositivos eletrônicos tem comprometido o convívio social e a capacidade das pessoas de se desconectarem, mesmo por breves momentos.
“Hoje ninguém mais consegue participar de uma reunião presencial sem ficar no celular. Se tem quatro pessoas na mesa, três estão com a cabeça na tela”, criticou.
Lula também relatou sua frustração ao ver membros de sua equipe e até ministros com os celulares sobre a mesa, questionando se estariam aguardando ligações de chefes de Estado como Xi Jinping, da China, ou Vladimir Putin, da Rússia.
“O que vocês têm de tão urgente que não podem largar o celular?”, perguntou, visivelmente incomodado.
Com bom humor, mas sem suavizar a crítica, o presidente ironizou os excessos dos grupos familiares no WhatsApp.
“Antes, parente bom era aquele que a gente via uma vez por mês. Agora é bom dia, boa noite, o que almoçou, o que jantou… o tempo todo. Para quê tanta conversa?”, provocou.
Para ele, essa hiperconectividade, muitas vezes banal, é sintoma de uma sociedade que perdeu o controle sobre o uso da tecnologia.
O presidente também fez menção ao comportamento rotineiro de milhões de pessoas que, segundo ele, substituíram o afeto entre casais pela checagem de notificações.
“Ao invés de dar um beijo de bom dia, cada um pega o celular. À meia-noite, antes de dormir, querem ver as últimas notícias ruins. Isso é uma inquietação doentia”, declarou, defendendo que é preciso restabelecer limites saudáveis entre vida digital e vida real.
Preocupação de Lula com o uso excessivo do celular e redes sociais também é vista em outros líderes mundiais
A preocupação de Lula não é isolada. Em diversas partes do mundo, autoridades vêm debatendo os impactos das redes sociais, especialmente entre os mais jovens.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, propôs recentemente a proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos, argumentando que o contato precoce com plataformas digitais está diretamente associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão e problemas de atenção em adolescentes.
Medidas semelhantes estão sendo discutidas por líderes de países como Austrália, Noruega, França e Japão.
Algumas dessas nações já aprovaram restrições severas ao uso de celulares em ambientes escolares ou criaram projetos de “toque de recolher digital”.
A ideia por trás dessas iniciativas é proteger o desenvolvimento social e emocional de crianças e adolescentes, evitando que a exposição constante às telas comprometa o convívio familiar, a capacidade de concentração e o bem-estar psicológico.
Ao fazer suas críticas, o presidente brasileiro se junta a um coro global que reconhece: a era digital trouxe facilidades, mas também exige responsabilidade e equilíbrio.





