Dois anéis circulares gigantescos, emitindo sinais de rádio e com características raras, foram recentemente identificados no espaço profundo, intrigando astrônomos e revelando mais pistas sobre fenômenos ainda pouco compreendidos do cosmos.
A descoberta chama a atenção não apenas pela raridade da estrutura, mas também pelo fato de ter sido feita com a ajuda de cientistas cidadãos, ampliando os horizontes da astronomia colaborativa.
Dois anéis circulares de rádio desconhecidos são vistos no espaço
Os objetos foram encontrados a partir de dados do Lofar (Low Frequency Array), um dos radiotelescópios mais avançados do mundo, formado por milhares de antenas espalhadas pela Europa.
As estruturas recém-identificadas fazem parte de um grupo conhecido como Círculos de Rádio Estranhos (ou ORCs, na sigla em inglês), cuja origem e natureza exatas ainda são alvo de estudo.
O mais distante desses círculos, batizado de RAD J131346.9+500320, está localizado a aproximadamente 7,5 bilhões de anos-luz da Terra, e é o primeiro ORC com dois anéis identificado com esse nível de detalhe.
Embora tenham sido descobertos apenas nos últimos anos, os ORCs já se consolidaram como alguns dos objetos mais enigmáticos do Universo observável. Eles se apresentam como estruturas circulares imensas, com diâmetros que podem ultrapassar 10 vezes o tamanho da Via Láctea.
A teoria mais aceita hoje é que esses anéis são formados por plasma magnetizado, que é um gás eletricamente carregado, reativado por ondas de choque ou explosões galácticas, frequentemente associadas à atividade de buracos negros supermassivos.
Descoberta dos anéis emitindo sinais de rádio foi feita com ajuda de cientistas cidadãos
A participação de cientistas cidadãos foi crucial para a identificação dos anéis. Mesmo sem treinamento específico para localizar esse tipo de estrutura, participantes do projeto RAD@home conseguiram identificar padrões incomuns nos dados de rádio.
Essa colaboração reforça o papel crescente da ciência cidadã em descobertas astronômicas.
Além do RAD J131346.9+500320, outros dois ORCs foram detectados em diferentes regiões do céu, incluindo um localizado no fim de um jato de partículas extremamente energético.
Todos os casos reforçam a hipótese de que os anéis são produzidos em ambientes galácticos ativos, especialmente em regiões com aglomerados de galáxias e buracos negros em intensa atividade.
A identificação desses anéis abre novas possibilidades para entender a evolução das galáxias e os mecanismos de feedback dos buracos negros. Com a chegada de novos telescópios, como o Square Kilometre Array, esperam-se descobertas ainda mais reveladoras nos próximos anos.





