Nos últimos dias, a Latam entrou no centro de uma controvérsia depois que passageiros passaram a relatar que o banheiro dianteiro de seus voos domésticos só poderia ser usado por um grupo limitado de viajantes.
A medida gerou forte reação nas redes sociais e abriu espaço para cobranças de órgãos de defesa do consumidor. Após a repercussão, o Procon de São Paulo notificou a companhia e pediu que a regra seja revista.
A empresa afirma que a prática segue padrões adotados no exterior e que não compromete a experiência dos clientes.
Latam é notificada por Procon após proibir uso geral dos banheiros
A discussão começou quando viajantes regularam que a tripulação vinha orientando passageiros da classe econômica tradicional a utilizar apenas os sanitários instalados na parte traseira do avião.
Segundo esses relatos, o toalete localizado na área frontal estaria reservado a quem ocupa fileiras premium ou ao público que compra assentos diferenciados, como os da cabine Premium Economy.
Para os consumidores que não fazem parte desse grupo, a limitação tem provocado desconforto, já que muitos precisam atravessar toda a aeronave para conseguir usar o banheiro.
Passageiros afirmam que isso cria filas, concentra o movimento em um único ponto e aumenta o risco em momentos de turbulência, além de causar constrangimentos desnecessários.
A regra também chamou atenção de especialistas do setor aéreo. Consultores ouvidos nas discussões online afirmam que não há justificativa operacional para restringir o acesso a um banheiro integrado ao fluxo natural da cabine.
Para eles, separar o uso por categoria de tarifa pode até prejudicar a dinâmica de embarque e circulação, já que concentra o deslocamento de maneira artificial.
Procon notificou Latam
Entidades de defesa do consumidor reforçam que o banheiro é um serviço essencial e que, por isso, sua limitação pode caracterizar abuso se não houver base legal para a diferenciação.
Diante das críticas, o Procon notificou a Latam e solicitou explicações detalhadas.
O órgão pediu que a empresa apresente critérios técnicos e operacionais que sustentem a restrição e advertiu que a prática pode ferir princípios de dignidade, igualdade e isonomia.
A companhia recebeu prazo de dez dias para responder e corre risco de sanções, que vão de multa a penalidades mais severas se não houver justificativa considerada adequada.
Em nota, a Latam afirma que o uso de sanitários por cabine é adotado em diversas companhias internacionais.
A empresa diz ainda que a organização por categoria busca preservar a experiência de quem adquire produtos diferenciados, sem impedir exceções em casos de necessidade especial, emergências ou ajustes no fluxo de passageiros.






