Um debate intenso tomou conta das redes sociais depois que viajantes da Latam passaram a relatar que o banheiro dianteiro dos voos domésticos estava sendo limitado apenas aos ocupantes das primeiras fileiras.
A discussão começou nos comentários de um post no LinkedIn e rapidamente atraiu a atenção de quem costuma voar com frequência.
A percepção geral foi de que a companhia criou uma barreira artificial dentro da cabine, o que despertou insatisfação e críticas de consumidores e especialistas.
Passageiros da Latam se revoltam após uso dos banheiros ser restrito
A polêmica ganhou força quando um passageiro com status de fidelidade elevado publicou que a tripulação de um voo da Latam havia impedido o uso do toalete dianteiro por passageiros da classe econômica tradicional.
Segundo ele, a medida fazia com que grande parte dos viajantes fosse obrigada a atravessar a aeronave até os sanitários traseiros, mesmo quando estava sentada na parte frontal.
Isso, na avaliação de quem reclamou, aumentava o desconforto a bordo, criava pequenos congestionamentos e ampliava os riscos em momentos de turbulência.
A Latam defendeu a política afirmando que o banheiro dianteiro deve ser priorizado para quem ocupa assentos conforto, para passageiros de primeira classe e para pessoas com necessidades especiais.
Para a empresa, essa divisão ajuda a organizar o fluxo de pessoas e garante melhor atendimento. A resposta, porém, não convenceu.
Consultores do setor afirmam que não existe fundamento técnico para restringir o acesso a um banheiro que integra o fluxo natural da cabine. Eles argumentam que a prática pode até prejudicar o serviço a bordo, já que concentra o deslocamento no fundo do avião.
Especialistas em direitos do consumidor também observaram que o banheiro é um serviço essencial, e que limitar seu uso pode configurar abuso, já que não há regra brasileira que autorize esse tipo de segmentação.
A legislação prevê que o passageiro deve ter acesso pleno às instalações básicas, especialmente quando a limitação pode afetar a segurança ou criar constrangimentos.
Latam se envolveu em outra polêmica com banheiro de avião meses atrás
O caso reacendeu outra discussão recente envolvendo a companhia. Em 18 de abril, uma passageira com esclerose lateral amiotrófica relatou ter passado mais de quinze horas em um voo internacional da Latam sem conseguir usar o banheiro adaptado.
Ela afirmou que a tripulação não encontrou a chave do espaço e que, diante da situação, chegou a ouvir sugestões improvisadas e constrangedoras. Comissários de bordo sugeriram que ela urinasse e evacuasse no chão da cozinha do avião.
A Anac abriu diálogo com a empresa para entender o episódio, lembrando que a norma brasileira exige assistência completa ao passageiro com deficiência, inclusive acesso ao sanitário.
A soma das duas situações ampliou a pressão pública por mudanças. Para muitos viajantes, os episódios mostram que o debate sobre acessibilidade e tratamento igualitário no transporte aéreo ainda está longe de terminar.






