Uma jornalista dos Estados Unidos se tornou o centro de um caso que abalou a credibilidade de um dos maiores programas de ajuda econômica criados durante a pandemia pelo governo norte-americano.
A ex-apresentadora de telejornal Stephanie Hockridge, figura conhecida na televisão estadunidense, teria participado do desvio de cerca de 340 milhões de reais do auxílio emergencial dos EUA destinado a pequenas empresas afetadas pela crise sanitária.
Segundo as investigações, ela e o marido fundaram uma empresa que se colocava como intermediária de empréstimos federais e acabavam ficando com valores indevidos ao manipular solicitações e documentos.
Jornalista famosa teria desviado R$ 340 milhões do auxílio emergencial
Hockridge, hoje com 42 anos, ganhou destaque ao longo dos anos em que apresentou o telejornal da emissora ABC15.
Ela deixou a carreira de jornalista antes da pandemia e, em 2020, apareceu como coproprietária da Blueacorn, criada justamente no início da corrida por recursos emergenciais.
A promessa pública era oferecer um caminho simples e rápido para que empreendedores acessassem o Programa de Proteção ao Salário, iniciativa que movimentou centenas de bilhões de dólares.
Por trás do discurso de eficiência, afirmam promotores, havia uma operação voltada a inflar pedidos e liberar quantias maiores do que as permitidas.
De acordo com o Departamento de Justiça, a fraude funcionava por meio da produção de materiais falsos, como folhas de pagamento e extratos bancários criados para dar sustentação a solicitações adulteradas.
Documentos fiscais também teriam sido manipulados com o mesmo objetivo. O casal teria desenvolvido um serviço especial dentro da própria empresa para orientar interessados a preencher formulários com dados que não correspondiam à realidade.
A acusação sustenta que parte desse dinheiro acabava transferida diretamente para contas ligadas aos proprietários da Blueacorn. Em paralelo, a empresa cobrava taxas irregulares dentro do processo de aprovação dos empréstimos, algo proibido pelo programa federal.
Jornalista foi condenada e terá que devolver valores do auxílio emergencial dos EUA
A Justiça concluiu que a participação de Hockridge na fraude foi suficiente para caracterizar conspiração para cometer fraude eletrônica.
O juiz responsável pela sentença apontou que o prejuízo ao programa era significativo e que a conduta violava o objetivo central da política pública criada para impedir demissões e falências.
A decisão final resultou em uma pena de dez anos de prisão, além de dois anos de liberdade supervisionada. A corte também determinou que a jornalista restitua a quantia total desviada, equivalente aos 63 milhões de dólares mencionados no processo.
A defesa afirma que vai recorrer e sustenta que os promotores não comprovaram a existência de pedidos fraudulentos assinados pela ex-âncora.






