Uma pesquisa empírica publicada recentemente na Cambridge Journal of Economics examinou os fatores que influenciam os retornos aos acionistas em empresas brasileiras de capital aberto entre 2001 e 2021.
O estudo revelou um equilíbrio delicado entre a distribuição de lucros no curto prazo e os investimentos produtivos de longo prazo, demonstrando que as decisões estratégicas das companhias impactam de forma distinta o valor entregue aos investidores ao longo do tempo.
Rendimento a curto ou longo prazo
Distribuição de lucros no curto prazo:
- Inclui dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de ações.
- Aumenta o retorno ao acionista no curto prazo.
- Cada ponto percentual adicional em dividendos pode elevar o retorno anual em até 2,7 pontos.
- O efeito está ligado à preferência do mercado por liquidez imediata.
- Pagamentos rápidos e previsíveis são valorizados pelos investidores.
- Políticas de remuneração imediata se destacam nos resultados anuais.
Investimentos produtivos no longo prazo:
- Recursos direcionados à expansão operacional, novos projetos e aprimoramento de processos aumentam o retorno acumulado em cinco anos.
- Cada ponto percentual investido em atividades produtivas pode elevar até 2,7 pontos o retorno acumulado.
- Esses investimentos promovem crescimento operacional e competitividade.
- Fortalecem a capacidade de gerar valor sustentável.
- Valorização da empresa depende de decisões estratégicas de longo prazo.
Riscos de foco exclusivo em dividendos:
- Estratégias voltadas apenas a ganhos imediatos podem comprometer o desenvolvimento sustentável.
- Em cenários de juros elevados, a preferência por dividendos limita o reinvestimento.
- Reduz a geração de valor futuro para o acionista.
Como investir então?
Os pesquisadores destacam que encontrar um equilíbrio entre a distribuição de lucros e os investimentos produtivos é fundamental.
Políticas que oferecem remuneração regular aos acionistas, aliadas a decisões de investimento bem planejadas, contribuem para a estabilidade da empresa e ampliam o potencial de valorização sustentável.
Para os investidores, o mais relevante é analisar a qualidade dos projetos e a capacidade da companhia de gerar resultados consistentes ao longo do tempo, em vez de concentrar-se apenas no retorno imediato. Essa abordagem reforça que uma visão de longo prazo é essencial para construir valor sólido e duradouro.





