Uma operação da Polícia Federal resultou na prisão de um homem em Boa Vista, Roraima, flagrado com R$ 700 mil em dinheiro vivo. A quantia, segundo as autoridades, tem ligação direta com um dos maiores crimes cibernéticos já registrados no Brasil.
A investigação aponta que o valor apreendido seria proveniente de contas abastecidas com recursos desviados de instituições financeiras após uma invasão aos sistemas de uma empresa de tecnologia que intermedia operações bancárias com o Banco Central, viabilizando transações via PIX.
Investigação liga R$ 700 mil em espécie a um dos maiores crimes cibernéticos do Brasil
A prisão ocorreu após monitoramento do sistema financeiro nacional e cooperação entre o Banco Central, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a Polícia Federal.
O suspeito foi abordado ao sair de uma agência bancária onde havia movimentado parte dos valores suspeitos.
No momento da abordagem, ele não apresentou justificativas consistentes sobre a origem do montante encontrado em seu poder, o que levou à sua prisão em flagrante por lavagem de dinheiro.
Identificado como Jackson Renei Aquino de Souza, o homem é assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Roraima e também atua como corretor de imóveis.
A apuração da PF revelou que sua conta pessoal recebeu mais de R$ 2 milhões em transferências provenientes de duas empresas agora sob suspeita de envolvimento no esquema de desvio milionário.
Essas empresas, de acordo com o Banco Central, mantêm conexão direta com os valores subtraídos durante a recente ofensiva digital contra instituições bancárias.
Crime cibernético que roubou cerca de R$ 800 milhões é um dos maiores do Brasil
O crime cibernético em questão ocorreu no fim de junho, quando hackers invadiram os sistemas da C&M Software, uma empresa de tecnologia responsável por conectar bancos de pequeno e médio porte ao Banco Central para operações via PIX.
A brecha permitiu que criminosos esvaziassem contas operacionais de várias instituições financeiras. Estima-se que o prejuízo total possa ter ultrapassado os R$ 800 milhões, embora os valores exatos ainda não tenham sido oficialmente confirmados.
De acordo com a PF, o caso é emblemático pelo grau de sofisticação do ataque e pelo impacto no sistema financeiro nacional. A investigação segue em andamento para identificar outros beneficiários dos recursos desviados e esclarecer a extensão da rede envolvida no esquema.
O acusado permanece preso preventivamente, por decisão da Justiça, enquanto as autoridades buscam aprofundar os vínculos entre os repasses financeiros e o crime digital.





