Uma possível intervenção no Banco Master se transformou em um foco de tensão dentro do Banco Central, conforme revelou a jornalista Malu Gaspar em sua coluna no jornal O Globo.
A disputa entre diretores da autarquia se intensificou nas últimas semanas, à medida que a análise da fusão entre o Banco Master e o BRB avança em meio a indícios de irregularidades e forte pressão política.
Intervenção no Master vira briga interna no Banco Central
O negócio em questão, anunciado em março deste ano, prevê que o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, desembolse R$ 2 bilhões para adquirir 58% do capital do Master.
A operação, no entanto, deixaria o controle da instituição financeira nas mãos dos atuais donos, o que tem levantado suspeitas sobre o real objetivo da transação.
Para críticos dentro do próprio BC, o acordo se parece mais com um resgate financeiro do que com uma aquisição estratégica, dado o quadro delicado de liquidez do Master.
A área técnica do Banco Central vem examinando a saúde financeira das duas instituições e os termos do acordo. Um dos pontos de maior preocupação está relacionado a uma carteira de créditos adquirida pelo BRB no fim de 2024, no valor de aproximadamente R$ 12 bilhões.
Há dúvidas sobre o lastro desses créditos e indícios de que parte relevante dos ativos do Master possa estar inflada artificialmente, especialmente por meio de precatórios, que já são objeto de investigação pela Polícia Federal.
Diretor do banco Central se opõe à fusão do Master com BRB
Segundo apuração da coluna da Malu Gaspar, o diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, não apenas se opõe à fusão como defende uma intervenção formal no Master. Ele já teria, inclusive, preparado um esboço de decreto para esse fim.
Gomes conta com o respaldo do diretor de Regulação, Gilneu Vivan, mas encontra resistência em Aílton Aquino, diretor de Fiscalização. A disputa reflete divergências sobre a gravidade dos problemas detectados e a forma como o BC deve agir.
No centro dessa crise está o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que tenta administrar o conflito sem tomar medidas drásticas.
Uma intervenção agora, além de abalar o setor financeiro, provocaria forte reação política, já que parlamentares de diferentes partidos têm atuado nos bastidores para que o negócio seja aprovado.






