O mercado de crédito no Brasil enfrenta um momento de tensão. Em julho de 2025, a inadimplência no segmento de recursos livres alcançou 5,2%, nível mais alto desde 2017, segundo o Banco Central (BC). Parte desse aumento decorre de ajustes regulatórios que tornaram a medição mais precisa, mas também indica crescimento efetivo de ativos problemáticos.
O estoque total de crédito chegou a R$ 6,716 trilhões, registrando avanço tímido de apenas 0,4% em relação a junho, apontando para uma desaceleração nas novas concessões. A combinação de juros elevados — com a Selic mantida em 15% ao ano — e atividade econômica moderada contribui para manter o crédito caro e restringir a expansão das operações financeiras.
Inadimplência
No segmento de recursos direcionados (financiamentos habitacionais e agrícolas), o crescimento foi de 7,4% em julho, impulsionado por condições subsidiadas e maior regulamentação. O crédito de consumo permanece pressionado por:
- Alto custo;
- Crescente inadimplência;
- Cartões de crédito rotativos;
- Empréstimos pessoais;
- Financiamentos de veículos.
Perfil das dívidas das famílias:
- Renda comprometida próxima de 50%;
- Dependência de modalidades de crédito de curto prazo.
Impactos
Impactos do aumento da inadimplência:
- Consumidores: restrições para novos empréstimos;
- Bancos e instituições financeiras: necessidade de elevar provisões e enfrentar pressão sobre a rentabilidade;
- Economia: limitação do consumo, redução de investimentos privados e risco de desaquecimento.
Especialistas destacam a importância de cautela diante do cenário atual, equilibrando o controle da inflação com a manutenção do acesso ao crédito. Fintechs e bancos digitais surgem como opções mais acessíveis, ainda que apresentem maior exposição a riscos. Para os consumidores, as recomendações incluem organizar o orçamento, evitar modalidades de crédito com juros elevados, renegociar dívidas existentes e criar uma reserva financeira de emergência.





