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Harvard ensina exercício fácil para turbinar a memória no dia a dia

Por Leticia Florenço
05/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Memória - Reprodução/iStock

Memória - Reprodução/iStock

Quantas vezes você andou pela rua, mas não notou a árvore florida ao lado ou o reflexo do sol nas janelas? No meio da correria e da imersão constante em telas, deixamos de observar o mundo ao nosso redor.

Segundo especialistas de Harvard, essa falta de atenção aos detalhes compromete diretamente a memória, especialmente com o passar dos anos.

Andrew Budson, professor de neurologia em Harvard, afirma que a memória depende diretamente da atenção. Ou seja, lembrar de nomes, compromissos e informações do dia a dia não é apenas uma questão de ter “boa memória”, mas de ter boa atenção.

E essa atenção pode ser treinada com um exercício simples, o mindfulness.

Mindfulness

Mindfulness é uma prática de foco no presente, que consiste em prestar atenção, com intenção, no que está acontecendo no exato momento, sejam sons, imagens, sentimentos ou pensamentos.

Não se trata de analisar, julgar ou resolver. Apenas observar. Esse hábito ativa uma resposta fisiológica chamada “resposta de relaxamento”, que reduz o estresse, desacelera o corpo e limpa a mente para que ela funcione com mais clareza.

Por que combater o estresse ajuda a lembrar melhor

Quando o corpo está em estado de estresse, a adrenalina e o cortisol tomam conta, bloqueando o foco e embaralhando a mente. Segundo Budson, esse modo “alerta máximo” pode até ajudar a lembrar do que causou o estresse, mas atrapalha todo o resto.

Ao acalmar o corpo, o mindfulness limpa esse ruído mental e libera espaço para que o cérebro se concentre no que importa.

O cérebro envelhece, mas pode se adaptar

Com o passar dos anos, nosso cérebro vai priorizando a manutenção do que já sabe em vez de absorver novas informações. Esse processo natural, somado a microlesões cerebrais causadas por traumas, poluição ou até pequenos AVCs, afeta diretamente nossa atenção e memória.

No entanto, a boa notícia é que o mindfulness pode ajudar a preservar a funcionalidade cerebral, compensando essas perdas com mais foco e presença.

Estudos comprovam os benefícios da prática. Uma pesquisa de 2021 com idosos saudáveis mostrou que, após seis meses de prática de mindfulness, os participantes não só apresentaram melhorias na atenção como também tiveram mudanças positivas no cérebro, especialmente nas áreas relacionadas à memória e ao foco.

Como praticar mindfulness de forma simples

Você não precisa de um curso completo para começar. A prática pode ser incorporada a qualquer rotina, em qualquer lugar:

  • Respiração consciente: Sente-se confortavelmente, feche os olhos e observe o ar entrando e saindo dos pulmões.
  • Caminhada atenta: Observe cada árvore, som, cor e movimento ao seu redor.
  • Alimentação presente: Saboreie a comida prestando atenção aos aromas, texturas e gostos.
  • Tarefas do cotidiano: Sinta a temperatura da água ao lavar a louça, perceba a luz que entra pela janela, note o som da chuva ou o sorriso de um familiar.

Pequenos hábitos, grandes resultados

A prática constante transforma a forma como você percebe o mundo e como seu cérebro registra memórias. Detalhes antes ignorados passam a fazer parte do seu repertório mental. Isso pode significar lembrar com mais facilidade de rostos, compromissos, informações lidas e até emoções vividas.

Ao observar os detalhes do agora, você fortalece sua capacidade de lembrar, compreender e viver com mais consciência. Incorporar esses momentos de presença à sua rotina pode ser transformador, não apenas para o cérebro, mas também para o bem-estar geral.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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