Redirecionar o foco para si mesmo é um dos comportamentos mais nocivos na comunicação interpessoal, afirma o especialista Fernando Miralles. Saiba como evitar esse hábito e cultivar conversas mais empáticas e significativas.
Quem nunca viveu a frustração de tentar contar algo importante e, antes de concluir, ver o interlocutor transformar a conversa em um monólogo sobre si mesmo?
Aquela tentativa de criar afinidade com um “isso também já aconteceu comigo” pode parecer inofensiva — mas, na prática, é um dos erros mais recorrentes e danosos no ato de se comunicar. E o problema é mais sério do que parece.
Segundo o especialista em oratória Fernando Miralles, que acumula mais de 3,5 milhões de seguidores em suas redes, esse comportamento revela falta de empatia, desequilibra o diálogo e impede que a troca seja autêntica. Ele é direto: “Nunca faça isso quando estiver conversando com alguém. É horrível.”
O perigo de centralizar a conversa em si mesmo
De acordo com Miralles, transformar a dor ou a experiência do outro em uma ponte para falar sobre si próprio é mais do que um ato de descortesia — é uma forma de invisibilizar o outro.
“Quando você responde com a sua própria história, está dizendo, ainda que sem intenção, que a experiência alheia não tem tanta importância”, afirma.
Esse tipo de atitude compromete a qualidade da conversa, tornando-a unilateral, egocêntrica e distante de qualquer construção empática. Além disso, do ponto de vista da inteligência emocional, mostra uma ausência de escuta ativa e um excesso de necessidade de validação pessoal.
Como transformar um diálogo em uma troca verdadeira

Para reverter essa tendência, a recomendação de Miralles é simples e poderosa: escute com intenção. Isso significa não apenas esperar a sua vez de falar, mas realmente se abrir para o que o outro tem a dizer. E, sempre que possível, usar perguntas abertas para aprofundar o que está sendo compartilhado.
A prática da escuta ativa não é apenas uma ferramenta de comunicação: é uma forma de respeito. “Quando você demonstra curiosidade genuína, faz com que a outra pessoa se sinta segura, valorizada e compreendida”, pontua o especialista.
A dica de ouro da Universidade Stanford
Para quem deseja aperfeiçoar esse tipo de comunicação, vale incluir mais uma ferramenta no repertório. O professor Matt Abrahams, da Stanford Business School, sugere utilizar frases como “conte-me mais” em momentos de troca.
Essa pequena expressão é um convite direto à profundidade e mostra que você está presente, atento e interessado. “É uma das formas mais simples de estreitar laços em uma conversa significativa”, diz ele.






