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Gusttavo Lima é condenado a pagar R$ 70 mil por danos morais

Por Leticia Florenço
21/03/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Gusttavo Lima - Reprodução

Gusttavo Lima - Reprodução

A recente decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) contra o cantor Gusttavo Lima trouxe à tona um debate sobre responsabilidade artística e privacidade.

A condenação obriga o sertanejo a pagar R$ 70 mil por danos morais a um homem que teve seu número de telefone divulgado na música “Bloqueado”, lançada em 2021. O caso, que já teve desdobramentos semelhantes em outros estados, levanta questões sobre os limites da liberdade artística e as consequências não intencionais de obras musicais.

Processo e a decisão judicial

A ação foi movida por um pernambucano que, após o sucesso da música “Bloqueado”, passou a receber incessantes ligações e mensagens, o que atrapalhou sua rotina e comprometeu seu trabalho. A decisão foi unânime entre os desembargadores da Segunda Câmara Cível do TJPE, sendo mantida a sentença da 26ª Vara Cível da Capital.

O relator do processo, desembargador Alberto Nogueira Virgínio, ressaltou que a citação direta ao número de telefone configura uma violação à privacidade e ao sossego do autor da ação.

Segundo o magistrado, a indenização de R$ 70 mil foi fixada levando em conta tanto os transtornos causados ao proprietário da linha telefônica quanto o poder econômico do artista, visando desestimular ações similares no futuro.

Não é a primeira condenação

O caso de Pernambuco não é isolado. Em 2022, ações semelhantes foram movidas por uma mulher do Paraná e um homem de Minas Gerais, que também tiveram seus números de telefone citados na canção e enfrentaram importunações. Ambos venceram seus processos na Justiça e foram indenizados.

A repetição de casos levanta a discussão sobre a responsabilidade de artistas e compositores ao utilizarem informações reais, mesmo que de forma não intencional. A inclusão de dados que possam ser atribuídos a terceiros pode gerar consequências jurídicas inesperadas.

Defesa de Gusttavo Lima

A assessoria jurídica de Gusttavo Lima já informou que irá recorrer da decisão, alegando que o cantor é apenas intérprete da música e que os compositores foram os responsáveis pela inserção do número na letra. Além disso, a defesa argumenta que:

  • O número citado na música foi escolhido de maneira aleatória, sem qualquer indicação de quem seria o dono da linha telefônica;
  • A decisão do TJPE vai na contramão de outras decisões sobre casos semelhantes;
  • A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e criação artística, impedindo censura prévia em obras culturais.

Esses argumentos apontam para uma possível reavaliação do caso em instâncias superiores, embora o TJPE tenha se mostrado firme em sua decisão.

Responsabilidade artística

A condenação do cantor reacende um debate relevante: até que ponto a liberdade artística pode ser exercida sem que haja impacto na vida de terceiros? No Brasil, a Constituição Federal protege tanto a liberdade de expressão quanto os direitos individuais à privacidade e ao sossego.

O desafio, nesses casos, é equilibrar esses princípios para evitar danos desnecessários a terceiros sem comprometer a criatividade dos artistas.

Muitos compositores utilizam números fictícios ou censuram trechos sensíveis para evitar situações como essa. Nos Estados Unidos, por exemplo, a indústria do entretenimento costuma utilizar o prefixo telefônico “555” em filmes e séries para impedir que pessoas reais sejam afetadas.

No Brasil, casos como o de Gusttavo Lima podem motivar uma maior preocupação com a inclusão de informações que possam comprometer indivíduos desconhecidos.

O que vem a seguir?

O caso ainda não chegou ao fim, pois a defesa do cantor pretende recorrer. Se o processo for levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou mesmo ao Supremo Tribunal Federal (STF), poderá abrir um debate ainda maior sobre a interseção entre criação artística e privacidade.

Enquanto isso, Gusttavo Lima continua com sua agenda de shows e projetos, mas terá que lidar com essa nova batalha jurídica. O desfecho desse caso poderá impactar não só o cantor, mas toda a indústria musical, trazendo mudanças na forma como músicas são escritas e divulgadas no Brasil.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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