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Hackers fazem Coreia do Norte ter 3ª maior reserva de bitcoins

Por Leticia Florenço
21/03/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Hacker - Reprodução/iStock

Hacker - Reprodução/iStock

Nos últimos anos, a Coreia do Norte tem se tornado um dos maiores jogadores no mundo das criptomoedas, mas não por meios convencionais.

Através de atividades cibernéticas ilegais, o regime de Kim Jong-un teria acumulado uma quantidade impressionante de bitcoins, o que poderia colocá-lo como a terceira maior reserva de BTC no planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido.

Esse feito, aparentemente surpreendente, reflete o crescimento da utilização de criptomoedas em atividades ilícitas, como também a eficácia de hackers no apoio a governos que operam fora dos limites legais.

Poder dos Hackers

A Coreia do Norte, sob o comando de Kim Jong-un, tem sido associada a uma série de ciberataques que, em muitos casos, visam o roubo de criptomoedas. O grupo de hackers Lazarus, vinculado diretamente ao governo norte-coreano, é o principal responsável por essa prática.

Em 2024, os hackers norte-coreanos conseguiram roubar impressionantes US$ 659 milhões em criptomoedas, com muitos desses ativos convertidos em Bitcoin. O FBI, em fevereiro de 2025, revelou que o país é responsável por um dos maiores roubos de ativos virtuais da história, com cerca de US$ 1,5 bilhão em criptomoedas sendo desviados.

Esses ataques cibernéticos não são meras ações isoladas, mas parte de uma estratégia mais ampla que visa a geração de recursos para sustentar o regime autoritário da Coreia do Norte, principalmente em face das sanções internacionais e da escassez de recursos financeiros devido ao isolamento econômico.

O topo

Com a recente avaliação de 13.562 BTC (equivalente a US$ 1,14 bilhão), a Coreia do Norte se aproxima de uma posição no ranking global de reservas de Bitcoin, ocupando atualmente a terceira posição, atrás apenas dos Estados Unidos, com 198.109 BTC, e do Reino Unido, com 61.245 BTC.

Estudos realizados pela Arkham Intelligence, especializada na análise de blockchain, apontam que esses ataques são orquestrados de forma meticulosa, com o objetivo de aumentar os lucros ilícitos. Esses recursos não são apenas armazenados; há um processo contínuo de movimentação e conversão, o que dificulta o rastreamento por autoridades internacionais.

Como as criptomoedas ajudam a Coreia do Norte a contornar sanções

A Coreia do Norte encontra-se sob um conjunto rigoroso de sanções econômicas e políticas impostas pela comunidade internacional, especialmente devido ao seu programa nuclear e de mísseis balísticos.

Essas sanções têm dificultado a obtenção de recursos legítimos e afetado severamente sua economia. No entanto, as criptomoedas, em especial o Bitcoin, oferecem uma maneira de driblar o sistema financeiro global.

Através do uso de criptomoedas, o regime de Kim Jong-un consegue realizar transações anônimas e descentralizadas, permitindo que o país receba fundos sem a necessidade de interagir com bancos internacionais ou autoridades financeiras, tornando mais difícil a detecção de suas atividades ilícitas.

À medida que o mundo digital avança, novas questões sobre segurança, regulamentação e uso ético de criptomoedas continuarão a surgir, forçando governos, empresas e a sociedade civil a encontrar formas de equilibrar inovação tecnológica com controle adequado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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