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Gêmeos idênticos se encontram após 19 anos por causa de estudo secreto

Por Leticia Florenço
08/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Robert, David e Eddy nasceram juntos, em julho de 1961, em um subúrbio de Nova York, mas foram entregues para adoção ainda bebês, cada um para uma família diferente.

Nem eles nem seus pais adotivos tinham conhecimento da existência dos outros irmãos. A separação não foi um acidente, mas parte de um experimento psicológico secreto que buscava estudar a influência da genética versus ambiente no desenvolvimento humano.

O reencontro começou em 1980, quando Robert, ao iniciar a faculdade Sullivan Community College, foi confundido com Eddie, um jovem que havia estudado lá antes. Essa confusão levou à descoberta do primeiro gêmeo.

Pouco depois, uma matéria de jornal atraiu a atenção de David, que percebeu ser o terceiro irmão. A conexão foi instantânea e intensa, com os três se encontrando pela primeira vez no mesmo fim de semana, como se se conhecessem a vida toda.

De gêmeos a celebridades

O reencontro viralizou na mídia, e os irmãos ganharam fama nacional. Decidiram morar juntos e cursar a mesma faculdade, além de abrir um restaurante chamado “Triplets” (Trigêmeos).

No entanto, apesar da química inicial, começaram a surgir diferenças e tensões, resultado, talvez, das trajetórias de vida muito distintas devido às famílias adotivas e ambientes variados.

A alegria inicial foi ofuscada pela revelação de que os irmãos foram separados intencionalmente como parte de um estudo psicológico secreto, conduzido pelo psicanalista Peter Neubauer.

O objetivo era observar como gêmeos idênticos se desenvolveriam em ambientes socioeconômicos diferentes, sem que as famílias soubessem da existência dos outros irmãos nem dos motivos reais da adoção. Eles foram monitorados desde bebês até os 10 anos, submetidos a testes e filmagens para analisar comportamentos.

Consequências tragicamente reais

A revelação da pesquisa secreta trouxe um peso enorme para os irmãos. As semelhanças comportamentais e problemas de infância que vivenciaram fizeram mais sentido, incluindo agressividade e ansiedade de separação.

O impacto psicológico foi devastador, culminando na trágica morte de Eddie, que lutava contra problemas mentais e se suicidou em 1995. Bobby e David ficaram marcados pela dor e pela sensação de terem sido tratados como “cobaias humanas”.

Legado do estudo

Peter Neubauer faleceu em 2008, e os dados da pesquisa permanecem trancados e selados na Universidade de Yale, só podendo ser acessados em 2065. Pouco se sabe sobre o número total de crianças envolvidas, mas pelo menos quatro pares de gêmeos idênticos foram identificados como participantes.

A agência que intermediou as adoções, Louise Wise Services, já extinta, atuou em segredo e sem transparência, levantando questões éticas sobre consentimento e direitos humanos.

Essa história levanta uma pergunta que fascina e desafia cientistas há décadas: o que molda uma pessoa, seu DNA ou o ambiente onde ela cresce? Mais que isso, questiona os limites da ciência e a responsabilidade ética em pesquisas com seres humanos.

Para Bobby e David, apesar da dor e da perda, resta a esperança de que essa história sirva para prevenir abusos futuros e ajude outras crianças que precisam de suporte especial.

O documentário “Three Identical Strangers”

Em 2019, o documentário “Three Identical Strangers”, dirigido por Tim Wardle, trouxe essa história ao grande público mundial, misturando emoções, suspense e crítica social.

O filme mostra não só o reencontro milagroso, mas também expõe as falhas éticas do experimento, tornando-se um marco para debates sobre ciência, adoção e direitos humanos.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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