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Tirar CNH pode variar até R$ 5 mil dependendo do estado

Por Leticia Florenço
08/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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CNH - Reprodução/iStock

CNH - Reprodução/iStock

A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é um documento essencial para milhões de brasileiros, representando mais do que a permissão para dirigir: simboliza independência, acesso ao trabalho e mobilidade social.

Contudo, o alto custo para obtenção da primeira habilitação é um obstáculo real para muita gente, especialmente para os mais jovens e para famílias de baixa renda.

O custo médio para tirar a CNH categoria AB (para carros e motos) varia significativamente de estado para estado. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o valor pode chegar a R$ 4.951,35, quase cinco mil reais, o maior do país.

Em seguida, aparecem o Mato Grosso do Sul, com cerca de R$ 4.477,95, e Santa Catarina, que cobra em média R$ 3.906,90. Já no outro extremo, estados como Paraíba (R$ 1.950,40) e São Paulo (R$ 1.983,90) oferecem os preços mais acessíveis, menos da metade dos valores praticados no Sul do país.

Essa diferença no preço da CNH não reflete apenas a variação de custos administrativos ou tributários. Ela também evidencia desigualdades regionais no acesso ao documento e, consequentemente, à mobilidade e ao mercado de trabalho.

Pesquisa e realidade social

Segundo o Instituto Nexus, que realizou a pesquisa Perfil do Condutor Brasileiro, cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação. Entre as principais razões para isso, está o custo elevado com 32% das pessoas que não têm CNH alegam que não tiraram por causa do preço.

Além disso, 80% dos entrevistados consideram o documento caro ou muito caro, e 66% acreditam que o custo cobrado não condiz com a qualidade do serviço oferecido pelos órgãos responsáveis.

Nas regiões Nordeste e Norte, onde a renda média é mais baixa, a taxa de não habilitados é ainda maior, chegando a 71% e 64%, respectivamente. Vale destacar que nesses locais os valores da CNH são também elevados, com a Bahia cobrando R$ 4.120,75 e o Acre R$ 3.906,60, o que torna ainda mais difícil o acesso.

O que justifica o preço da CNH?

O valor para tirar a CNH envolve diversas etapas e custos, que incluem:

  • Taxas do Departamento de Trânsito (Detran): Emissão do documento, exames médicos e psicotécnicos.
  • Aulas teóricas e práticas: Ministradas por autoescolas credenciadas, que incluem o custo de instrutores, veículos, combustível e manutenção.
  • Provas: Taxas para realização dos exames teórico e prático.
  • Taxas administrativas e impostos: Variações conforme o estado.

Cada uma dessas etapas influencia no custo final e pode variar conforme políticas locais, demanda e estrutura dos órgãos.

Proposta de mudança

Para tentar reduzir o custo da CNH, o governo federal está avaliando uma mudança no modelo atual, principalmente para as categorias A (motocicleta) e B (carro).

A proposta prevê que as aulas práticas se tornem opcionais e que o candidato possa escolher entre frequentar uma autoescola tradicional ou contratar um instrutor autônomo credenciado pelos Detrans e pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Essa flexibilização teria o objetivo de permitir um treinamento mais personalizado e competitivo, com redução do custo para o candidato. Mesmo com essa mudança, manteria a exigência de aprovação nas provas teórica e prática para garantir a segurança no trânsito.

No entanto, a proposta enfrenta resistência por parte das autoescolas, que temem uma queda no número de alunos e perda de receita. O projeto já foi concluído pelo Ministério dos Transportes e aguarda aprovação da Casa Civil para avançar.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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