A humanidade pode estar marchando rumo a um cenário de fim do mundo: o planeta Terra se tornar inabitável até o ano de 2100. O alerta vem de Carlos Nobre, um dos cientistas ambientais mais renomados do mundo.
Segundo ele, caso as emissões de gases do efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas nas próximas décadas, as temperaturas globais podem alcançar níveis letais para o corpo humano, especialmente em regiões próximas ao equador, onde o calor extremo seria permanente ao longo do ano.
Fim do mundo está se aproximando? Essa previsão da ciência revela data
Carlos Nobre é pesquisador sênior no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e copreside o Painel Científico para a Amazônia.
Ele foi pioneiro ao levantar, ainda nos anos 1990, a possibilidade de a Floresta Amazônica colapsar e se transformar em uma savana.
Recentemente, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Nobre voltou a expor suas preocupações com o avanço das mudanças climáticas.
“É totalmente possível, se não reduzirmos rapidamente as emissões, chegarmos a 3°C ou 4°C em 2100. O planeta vai ficar inabitável para nós humanos em 2100”, afirmou.
O cientista explica que a atual elevação de temperatura global é resultado direto da ação humana, não de processos naturais como os que marcaram outras eras geológicas.
O uso intensivo de combustíveis fósseis, o desmatamento acelerado e práticas agroindustriais insustentáveis estão entre os principais vetores desse aquecimento.
Mesmo com os compromissos climáticos assumidos por diversos países, as projeções atuais indicam uma queda tímida, de apenas 3%, nas emissões até 2030, número considerado insuficiente.
Amazônia pode perder capacidade de regular clima do mundo
A Amazônia, segundo Nobre, já dá sinais de aproximação de um ponto de não retorno. O bioma, que antes absorvia bilhões de toneladas de gás carbônico por ano, hoje remove uma fração disso.
A estação seca está mais longa, as queimadas mais frequentes e intensas, e o solo cada vez menos capaz de sustentar a floresta. Se esse ritmo continuar, a Amazônia pode perder sua capacidade de regular o clima.
A solução, segundo ele, passa pela valorização da bioeconomia e pela restauração de ecossistemas. Incentivar o uso sustentável da biodiversidade, investir em tecnologias verdes e frear o desmatamento são passos urgentes.
Caso contrário, adverte Nobre, o colapso climático deixará de ser uma possibilidade distante e se tornará uma realidade irreversível, causando o fim do mundo que conhecemos.






