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Sem bacias do pré‑sal, Brasil voltaria a ser importador de petróleo

Por Jeferson da Rosa
05/07/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Sem bacias do pré‑sal, Brasil voltaria a ser importador de petróleo - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sem bacias do pré‑sal, Brasil voltaria a ser importador de petróleo - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nesta semana, a Shell divulgou projeções que reacenderam o debate sobre o futuro da produção de petróleo no Brasil.

Segundo a gigante britânica do setor energético, o país corre o risco de voltar a importar petróleo já na próxima década caso não abra novas frentes de exploração, especialmente na bacia da Foz do Rio Amazonas.

O alerta se baseia no entendimento de que as reservas do pré-sal, hoje o principal pilar da produção nacional, estão se aproximando do esgotamento.

Entretanto, análises como a do portal InfoAmazonia sugerem que esse retorno à dependência externa poderia ser adiado em vários anos, desde que o Brasil siga seus compromissos com a transição energética.

Além disso, a exploração na Foz do Amazonas, região sensível do ponto de vista ambiental, é vista com grande cautela por especialistas.

Sem bacias do pré‑sal, Brasil voltaria a ser importador de petróleo

A avaliação da Shell foi apresentada pelo presidente da companhia no Brasil, Cristiano Pinto da Costa. Ele apontou que o ritmo de exploração no país vem diminuindo drasticamente — o número de novos poços perfurados caiu de mais de 150 por ano, nos anos 2000, para apenas seis em 2024.

Essa desaceleração, combinada à maturidade das bacias de Santos e Campos, poderia levar o país a se tornar novamente um importador líquido de petróleo por volta de 2035.

Para evitar esse cenário, a Shell defende a abertura de novas áreas de exploração e a realização regular de leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), incluindo a controversa Foz do Amazonas.

Segundo Pinto da Costa, a demanda global por petróleo não deve diminuir nas próximas décadas, mesmo com os avanços rumo a fontes de energia mais limpas.

Ele lista três principais motores para essa continuidade no consumo:

  • o crescimento populacional, com dois bilhões de pessoas a mais até 2050;
  • o aumento da demanda energética nos países do Sul Global, onde o consumo per capita ainda é muito inferior ao dos países desenvolvidos;
  • e o impacto crescente de tecnologias como a inteligência artificial, que exigem grande capacidade energética.

O executivo afirma que, diante dessas projeções, grandes empresas de tecnologia já não priorizam apenas fontes renováveis — elas buscam fornecimento estável, independentemente da matriz energética.

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas só é necessário se país não cumprir metas climáticas

Em contraste com essa visão, uma análise feita pela ONG InfoAmazonia, que atua como portal especializado em notícias sobre o tema, traça um panorama mais cauteloso e baseado no cumprimento das metas climáticas acordadas pelo Brasil.

Segundo o levantamento, que se baseia em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Internacional de Energia (IEA), mesmo sem a exploração de novas áreas como a Foz do Amazonas, o país teria reservas suficientes até pelo menos 2042, desde que avance em sua política de redução de emissões.

Esse cenário considera tanto as reservas provadas quanto as prováveis e possíveis, totalizando cerca de 18 bilhões de barris de petróleo ainda disponíveis.

O levantamento destaca que a estimativa da Petrobras, que também projeta a necessidade de importar petróleo a partir de 2035, ignora o potencial represado em áreas já conhecidas, como o pré-sal, além de desconsiderar os compromissos assumidos no Acordo de Paris e no plano Net Zero.

A abertura da Foz do Amazonas só seria necessária, segundo especialistas ouvidos pela InfoAmazonia, se o país optar por não cumprir suas metas climáticas.

E mesmo que o licenciamento ambiental da área fosse aprovado imediatamente, o início da produção só ocorreria após pelo menos uma década — ou seja, por volta de 2034.

Caminho para evitar dependência futura do petróleo é aprofundar transição energética no Brasil

O estudo também alerta para os riscos financeiros envolvidos na aposta por novos projetos de petróleo em tempos de transição energética global.

Um relatório internacional sobre riscos climáticos estima que até US$ 2,3 trilhões em ativos fósseis podem se tornar inviáveis até 2040, sendo o Brasil um dos países mais expostos a esse tipo de perda.

Diante desse cenário, especialistas sugerem que o caminho mais seguro para o país passa por aprofundar a transição energética, diversificar a matriz e investir na reclassificação de reservas já existentes.

Essa rota, além de reduzir a pressão sobre áreas ecologicamente frágeis como a Foz do Amazonas, alinha o Brasil com tendências globais e protege sua economia contra os efeitos da mudança climática e da obsolescência dos combustíveis fósseis.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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