Cidades italianas estão prestes a aposentar de vez o papel na emissão de certidões e outros documentos civis, abrindo caminho para um sistema totalmente digital que promete agilizar a vida dos cidadãos e cortar etapas burocráticas que há décadas atrasam processos simples.
A mudança, que começa a ganhar força em diferentes regiões do país, coloca a Itália em uma rota de modernização inédita para registros como nascimento, casamento, óbito e cidadania.
Para quem depende desses documentos, dentro e fora da Itália, o impacto tende a ser imediato e positivo.
Fim do cartório? Cidades vão começar a emitir apenas certidões digitais
O governo italiano confirmou que o novo modelo passa a funcionar por meio do Arquivo Nacional Informatizado dos Registros do Estado Civil, uma plataforma pensada para centralizar e padronizar todos os atos civis.
A ideia é eliminar procedimentos manuais que exigiam impressão, conferência física e assinaturas tradicionais. Agora, tudo ocorre dentro de um ambiente digital, com armazenamento seguro e assinatura eletrônica via SPID ou carteira de identidade eletrônica.
Situações excepcionais ainda permitem assinatura manual de certidões ou outros documentos, mas são cada vez mais restritas.
Cidades como Pordenone e Ascoli Piceno já demonstram como essa transição vai funcionar na prática. Em Pordenone, todos os atos civis novos passaram a ser produzidos diretamente no sistema digital, sem gerar uma única folha de papel.
A cidade registrou seus primeiros documentos totalmente eletrônicos ainda em novembro, incluindo um casamento, um nascimento e uma transcrição de cidadania por naturalização.
Já Ascoli Piceno iniciou o processo que colocará fim a livros e fichas usados desde o século XIX, marcando o encerramento de um período de 159 anos de registros manuais.
Adesão de certidões digitais afeta também descendentes de italianos no exterior
A mudança afeta não só italianos residentes no país, mas também seus descendentes no exterior, que dependem de certidões atualizadas para processos de reconhecimento de cidadania.
Com o novo formato, espera se reduzir prazos, corrigir inconsistências com maior rapidez e diminuir falhas repetidas que costumam travar procedimentos.
Ao centralizar todos os dados em um único sistema, o Ministério do Interior quer evitar deslocamentos desnecessários, reduzir custos e melhorar a comunicação entre diferentes municípios.
O avanço integra o Plano Nacional de Recuperação e Resiliência e já alcança mais da metade das cidades italianas.
Com a expansão do sistema, o país se aproxima de um cenário em que a burocracia pesada perde espaço para serviços mais simples, previsíveis e rápidos, criando um novo padrão para a administração pública italiana.






