A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, revelou não apenas um esquema bilionário de desvios no INSS, mas também trouxe à tona um detalhe que chamou atenção com o crescimento meteórico na renda de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antonio Carlos Camilo Antunes, o influente lobista conhecido como Careca do INSS.
Em apenas dois meses, Romeu saiu da condição de programador assalariado para ostentar ganhos de mais de R$ 100 mil, além de um patrimônio de luxo que hoje está sob investigação.
O salto financeiro em tempo recorde
Entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, Romeu passou de uma renda modesta de R$ 1,6 mil para impressionantes R$ 107,6 mil. O aumento em apenas 60 dias representou um salto de 63 vezes no valor declarado.
A ascensão coincide com sua entrada como sócio em empresas ligadas ao pai, que eram usadas para movimentação suspeita de recursos.
Antes do envolvimento nos negócios do pai, Romeu trabalhava como programador de sistemas no PicPay. Seu último vínculo formal foi encerrado em setembro de 2023, poucos meses antes da virada financeira.
Em pouco tempo, passou de funcionário assalariado a sócio em quatro empresas diretas e participante indireto em outras três companhias controladas pelo Careca.
Estrutura empresarial sob investigação
Segundo a PF, todas as empresas com participação de Romeu foram utilizadas para enviar valores a servidores e intermediários do INSS. A rede funcionava como um sistema de lavagem de dinheiro, dando aparência legal a recursos oriundos de descontos fraudulentos em aposentadorias.
O esquema teria movimentado mais de R$ 6 bilhões.
Patrimônio de luxo apreendido
Durante as buscas, a Polícia Federal encontrou na posse de Romeu uma frota milionária. Entre os bens estavam seis carros de luxo, incluindo um Porsche e dois BMWs, além de uma motocicleta importada.
Também foram localizados malas de dinheiro em espécie e objetos de alto padrão, reforçando as suspeitas sobre a origem dos recursos.
A PF descobriu que, caso o Careca conseguisse fugir para os Estados Unidos, Romeu ficaria responsável por administrar um Call Center ligado ao esquema. Isso indicaria não apenas participação passiva, mas também envolvimento direto na continuidade dos negócios ilícitos.
Convocação para prestar esclarecimentos
Nesta semana, Romeu foi chamado para depor na CPMI do INSS, que investiga o escândalo. O depoimento pode esclarecer qual era o grau de consciência que ele tinha sobre a origem ilícita da fortuna e sua real participação no funcionamento do esquema.
O caso começou a ser revelado em reportagens do portal Metrópoles, a partir de dezembro de 2023. Em apenas um ano, entidades suspeitas arrecadaram R$ 2 bilhões em mensalidades fraudulentas de aposentados.
A denúncia levou à abertura de inquérito da PF, apoio da CGU e culminou na Operação Sem Desconto em abril de 2024.
Consequências políticas e institucionais
A operação resultou em 211 mandados de busca e apreensão e seis prisões. O escândalo também provocou a queda de nomes importantes: o presidente do INSS foi afastado e o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão apenas nove dias após a operação.





