Famílias de pessoas internadas em UTIs em vários estados têm sido alvo de criminosos que praticam golpes se apresentando como médicos para solicitar pagamentos urgentes por Pix.
O momento de fragilidade emocional facilita a ação dos golpistas, que exploram a preocupação com o estado de saúde do paciente.
Na manhã da última quarta feira, 03 de dezembro, uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu sete suspeitos ligados ao esquema. A ação buscou interromper uma rede estruturada que lucrava com o desespero alheio e que já vinha atuando há meses.
Famílias de pacientes na UTI estão sofrendo golpes do pix de falsos médicos
A polícia informou que o grupo que praticava os golpes do falso médico operava de maneira organizada.
A investigação apontou que o suposto líder coordenava tudo de dentro da penitenciária de Rondonópolis, enquanto outros integrantes tinham funções específicas, como administrar contas bancárias, efetuar ligações e manter contato direto com as vítimas.
A operação teve como foco desmontar essa divisão de tarefas e alcançar tanto os responsáveis pelas comunicações quanto os operadores financeiros.
Mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos em quatro estados, com o objetivo de localizar documentos, celulares e registros que comprovem a atuação da quadrilha.
Como funciona o golpe do falso médico?
O golpe seguia um roteiro. Os criminosos telefonavam para familiares de pacientes internados e se identificavam como médicos ou representantes da equipe clínica do hospital.
Utilizavam nomes aleatórios e fotos encontradas na internet, criando uma aparência de credibilidade.
Em seguida, afirmavam que o quadro de saúde do familiar internado havia se agravado e citavam exames complexos ou tratamentos de alto custo que, segundo eles, não seriam cobertos pelo plano de saúde.
Para reforçar a falsa urgência, afirmavam que a realização do procedimento deveria acontecer imediatamente. Com isso, pressionavam as famílias a enviar valores que chegavam a cerca de dez mil reais, sempre por Pix.
O esquema prejudicava pessoas já abaladas pela internação de um parente e que, muitas vezes, não tinham condições emocionais de questionar a veracidade da ligação.
A polícia apurou que parte do dinheiro arrecadado era repassada ao Comando Vermelho e que um dos suspeitos mantinha dezenas de chaves Pix para dificultar o rastreamento dos depósitos.
O próximo passo das investigações pretende entender como os criminosos tinham acesso a identificações reais de pacientes internados e aos telefones dos familiares, e apreender os responsáveis por repassar essas informações aos golpistas.
Como identificar e evitar o golpe do falso médico?
Para evitar golpes desse tipo, especialistas recomendam atenção redobrada.
Hospitais não costumam solicitar pagamentos por telefone e muito menos por transferências urgentes. Em caso de dúvida, a orientação é desligar e entrar em contato diretamente com a instituição de saúde pelos canais oficiais.
Qualquer pedido inesperado de dinheiro deve ser considerado suspeito, especialmente quando envolve pacientes em estado crítico.





