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Falta de material no SUS deixa diabéticos sem apoio e cobra alto preço

Por Leticia Florenço
01/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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SUS - Reprodução/iStock

SUS - Reprodução/iStock

A rotina de quem convive com o diabetes é marcada pela vigilância constante dos níveis de glicose no sangue.

Para os pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, essa rotina vem sendo profundamente abalada em Belo Horizonte, onde a suspensão dos glicosímetros e tiras reagentes da marca OK Pro impôs um fardo financeiro e emocional elevado.

Mais do que um transtorno, a falta de insumos essenciais representa uma ameaça direta à saúde e à vida de milhares de pessoas.

A interrupção repentina

O problema começou com a aquisição de glicosímetros e tiras reagentes da marca OK Pro pelo governo de Minas Gerais para a rede pública.

Logo após a distribuição, surgiram questionamentos sérios por parte do Ministério Público e de profissionais da saúde sobre a precisão dos dispositivos. Diante da suspeita de imprecisão nas medições de glicemia, os materiais foram suspensos temporariamente, sem substituição imediata.

Essa lacuna no abastecimento deixou pacientes literalmente às cegas quanto ao controle glicêmico. Sem saber quando a distribuição será normalizada, muitos estão tendo que arcar com o custo elevado dos insumos, enquanto outros reduzem ou abandonam as medições diárias por falta de recursos.

O peso nas costas do paciente

O caso do perito judicial Windson de Sá, de 54 anos, revela os riscos concretos dessa negligência. Há mais de uma década convivendo com o diabetes, ele afirma ter reduzido pela metade as medições diárias para tentar economizar as tiras, que, em farmácias, podem custar até R$ 120.

Ele relata que, por falta das medições, tem aplicado insulina com base em suposições. “Esses dias quase desmaiei no meio da rua. Caminhei até uma cliente e tive uma tontura fortíssima. Isso tem que mudar. Está um inferno”, desabafa.

A insulina, quando aplicada de maneira inadequada, pode provocar quadros de hipoglicemia e até levar à morte.

O silêncio das autoridades

A situação é agravada pela ausência de informações concretas por parte das autoridades. Segundo Windson, ao procurar atendimento nos postos de saúde, recebe apenas respostas vagas.

A Prefeitura de Belo Horizonte alegou que aguarda um parecer definitivo da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) sobre os produtos, mas já iniciou processo de compra de novos aparelhos e tiras.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde afirmou que o fornecimento dos insumos é responsabilidade tripartite, União, estado e município, e que os repasses federais estão sendo realizados normalmente.

Um erro de leitura pode ser catastrófico. Se um aparelho mostra 300 mg/dL quando a glicemia real é 90, o paciente pode aplicar insulina em excesso e cair em hipoglicemia grave. Isso é particularmente perigoso para idosos, gestantes e pessoas com outros problemas de saúde.

O episódio em Belo Horizonte expõe não apenas a falha na entrega de um insumo médico, mas também a vulnerabilidade de quem depende exclusivamente do SUS para sobreviver com dignidade.

Para quem depende da medição diária para evitar uma crise, cada tira reagente é uma forma de prevenção, e a ausência delas é uma roleta-russa injusta imposta aos mais vulneráveis.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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Foto: RUT MIIT/Unsplash

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