Resultados preliminares do estudo “Nascer no Brasil II”, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelam que o acesso à anestesia em partos vaginais ainda é limitado no país, além de evidenciar diferenças entre o atendimento oferecido nas redes pública e privada.
A pesquisa, realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública, monitorou mais de 22 mil mulheres em 395 maternidades brasileiras ao longo do período entre 2021 e 2025. A divulgação completa dos dados está prevista para ocorrer entre 2026 e 2027.
O estudo investiga diferentes aspectos da assistência obstétrica no país, entre eles:
- qualidade do pré-natal;
- mortalidade materna e perinatal;
- violência obstétrica;
- amamentação;
- saúde mental materna e paterna;
- estrutura das maternidades brasileiras;
- acesso à anestesia no parto vaginal;
- taxas de cesariana.
Anestesia no parto
Dados sobre anestesia no parto vaginal:
- Apenas 11,6% das mulheres receberam anestesia peridural durante o parto normal no Brasil;
- Na rede privada, o índice de acesso à anestesia chega a 32%;
- Nos hospitais públicos, o percentual cai para 8,6%;
De acordo com obstetras e pesquisadores, a oferta reduzida de anestesia em partos vaginais ainda faz com que a dor do parto seja tratada como algo natural no sistema de saúde brasileiro.
Na avaliação da médica sanitarista Maria do Carmo Leal, responsável pela coordenação do estudo, a dificuldade de acesso à analgesia durante o parto normal está entre os fatores que contribuem para as elevadas taxas de cesariana no país.
Cesarianas no Brasil
O Brasil aparece entre os países com maiores índices de cesariana no mundo. A primeira edição da ‘Nascer no Brasil’ (2011-2012) indicou que entre 52% e 55% dos nascimentos no país ocorreram por meio de cirurgia cesariana.
Na rede privada, os percentuais podem alcançar entre 85% e 88%, enquanto no SUS variam de 40% a 46%.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que esse tipo de procedimento represente apenas entre 10% e 15% dos partos.
Especialistas alertam que a realização de cesarianas sem indicação clínica pode elevar os riscos de complicações para mães e bebês, incluindo parto prematuro, dificuldades respiratórias em recém-nascidos e necessidade de internação em unidades de terapia intensiva neonatal.





