Nos últimos anos, a compreensão sobre saúde materna passou por mudanças significativas. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu, pela primeira vez, uma definição global e um marco conceitual de bem‑estar materno, expandindo o foco tradicional da simples sobrevivência para incluir a qualidade de vida da mulher desde a concepção até 12 meses após o parto.
Esse novo enfoque reconhece que a maternidade é influenciada por múltiplos determinantes — físicos, emocionais, sociais e ambientais — e que a experiência materna não pode ser avaliada apenas pela ausência de doenças ou complicações clínicas.
Bem-estar materno
A OMS define o bem‑estar materno como um estado positivo ao longo do período perinatal, influenciado pelo ambiente, suporte recebido e capacidade da mulher de exercer seus direitos. O marco conceitual identifica seis domínios interligados:
- Saúde e nutrição: cuidados médicos e alimentação adequada;
- Provisão e experiência do cuidado: atendimento respeitoso e digno;
- Segurança e ambientes sustentáveis: proteção contra violência e acesso a recursos;
- Relações sociais: apoio familiar e comunitário;
- Autonomia e resiliência: capacidade de tomar decisões e enfrentar desafios;
- Cultura e valores: respeito às práticas culturais e individuais.
Esses domínios destacam que fatores sociais e emocionais são tão importantes quanto os indicadores clínicos. A definição orienta políticas e práticas de saúde, reconhecendo que uma mulher clinicamente saudável pode ter baixo bem‑estar se sofrer desrespeito, falta de apoio ou restrições à sua autonomia.
Suporte às mães
Para gestores de políticas públicas e profissionais de saúde, o conceito de bem‑estar materno amplia o escopo de prioridades, promovendo cuidados que valorizem dignidade, informação, empatia e apoio emocional.
Ele também destaca a importância de que programas de atenção materna considerem o contexto social e cultural das mulheres, assegurando que as intervenções respeitem seus valores e circunstâncias individuais.
No âmbito internacional, a incorporação do bem‑estar materno como referência global orienta o desenvolvimento de indicadores e estratégias que vão além da simples redução da mortalidade, alinhando-se a iniciativas mais amplas voltadas à promoção de saúde e bem‑estar ao longo da vida, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.






