Um estudo recente publicado na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy aponta que a ingestão de aspartame, mesmo em doses consideradas reduzidas, pode desencadear alterações significativas no organismo. Os resultados sugerem que a exposição prolongada a adoçantes artificiais tem potencial para comprometer o funcionamento de órgãos como o coração e o cérebro, o que coloca em debate a adequação dos limites de consumo atualmente estabelecidos.
A pesquisa foi conduzida por um centro de estudos em biomateriais na Espanha e acompanhou camundongos por um período de um ano. Durante o experimento, os animais receberam aspartame de maneira espaçada, a cada quinze dias, em uma quantidade equivalente a cerca de 6,6 miligramas — valor correspondente a aproximadamente um sexto da ingestão diária considerada segura para humanos segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Riscos do adoçante
Apesar das doses reduzidas, os pesquisadores identificaram efeitos concretos, sobretudo em camundongos machos. Entre os principais resultados estão alterações no desempenho cardíaco, incluindo diminuição da capacidade de bombeamento e modificações estruturais e funcionais sutis, associadas ao aumento do estresse sobre o coração.
O estudo também apontou uma redução expressiva na absorção de glicose, condição que pode comprometer o aporte energético ao cérebro e afetar seu funcionamento ao longo do tempo. Os achados chamam atenção por terem ocorrido mesmo com um padrão de ingestão intermitente e muito inferior ao limite máximo considerado seguro.
De acordo com os autores, esse regime foi suficiente para desencadear alterações cardíacas e metabólicas, ainda que menos intensas do que as observadas em pesquisas anteriores, nas quais o aspartame foi consumido diariamente ou por períodos mais curtos.
Potencial cancerígeno
Em 2023, o aspartame foi classificado como “potencialmente cancerígeno” pela Organização Mundial da Saúde, que ainda considera segura a ingestão diária de até 40 mg por quilo de peso corporal. No entanto, evidências recentes indicam que doses abaixo desse limite podem causar efeitos adversos quando consumidas por longos períodos.
O estudo sugere que fatores como adaptação do organismo, maior tolerância em animais adultos ou intervalos sem consumo podem explicar impactos menos intensos, mas reforça a necessidade de cautela no uso regular do adoçante, especialmente por crianças e adolescentes.





