A dissertação da assistente social Renata Rigatto, realizada no mestrado em Saúde da Família da UFMS, foi destaque na 10ª Mostra Mato Grosso do Sul – Aqui tem SUS, em abril. O estudo trata da entrega voluntária de bebês para adoção, um tema ainda pouco debatido na atenção primária à saúde.
Entre 2020 e 2023, mais de cinco mil crianças foram entregues nessas condições no Brasil, segundo o CNJ. Apesar de prevista no ECA, a prática ainda é cercada por desinformação, estigmas e julgamentos, afetando tanto as mulheres quanto os profissionais da rede pública.
Entrega voluntária de bebês
A pesquisa analisou as percepções de profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) sobre a entrega voluntária de recém-nascidos para adoção, a partir de entrevistas com trabalhadores da Estratégia Saúde da Família em um município do interior de Mato Grosso do Sul, entre novembro de 2023 e janeiro de 2024.
Utilizando a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo, o estudo identificou resistência por parte dos profissionais, marcada por desconhecimento da legislação e julgamentos morais, o que evidencia a necessidade de formação técnica e sensibilização sobre os direitos das gestantes. A análise mostrou que a entrega voluntária ainda é vista de forma negativa, frequentemente associada à quebra do ideal do “amor materno”.
Como parte do trabalho, foi promovida uma intervenção educativa com os profissionais da rede, contribuindo para qualificar o acolhimento às gestantes e alinhar as práticas ao amparo legal. Após a formação, foram relatadas melhorias no atendimento, tanto nas unidades quanto nas visitas domiciliares.
Divulgação do estudo
A apresentação dos resultados já começou a ser realizada em eventos acadêmicos e instituições públicas, com o propósito de ampliar a conscientização de gestores e profissionais da saúde sobre a relevância da temática. Entre os destaques, a pesquisa foi uma das selecionadas entre 179 trabalhos da mostra estadual e foi apresentado no Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, ocorrido nesse mês, em Belo Horizonte.
Com foco na garantia de direitos e na redução de estigmas, a pesquisadora planeja aprofundar os estudos, buscando desenvolver estratégias de acolhimento mais humanizadas e alinhadas à realidade das gestantes e crianças envolvidas no processo de entrega voluntária para adoção.





