Uma pesquisa conduzida pela Fiocruz em parceria com universidades federais do Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul revelou que restringir a venda de alimentos ultraprocessados em escolas melhora significativamente a alimentação de crianças e adolescentes.
Os dados, divulgados com exclusividade nesta semana pela Folha de S.Paulo, indicam que políticas públicas voltadas ao ambiente escolar podem ter impacto direto na saúde dos estudantes.
Estudo aponta que cortar ultraprocessados nas escolas faz diferença
A pesquisa avaliou escolas privadas de quatro cidades brasileiras, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói, entre 2022 e 2025.
Os resultados mostraram que onde há leis proibindo a venda de produtos como refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados, os alunos têm acesso a uma alimentação mais saudável.
As escolas com legislação vigente tiveram desempenho superior no chamado Índice de Saudabilidade, criado pelos pesquisadores para medir a presença de alimentos in natura e a ausência de ultraprocessados nas cantinas.
Segundo os pesquisadores, a principal razão para a melhora nos índices está na mudança na oferta alimentar. Com menos produtos ultraprocessados disponíveis, os alunos passaram a consumir mais alimentos frescos ou minimamente processados, como frutas, pães simples e preparações assadas.
Além disso, a proibição desses alimentos, que são em muitos casos cancerígenos e com efeitos devastadores para saúde, forçou as cantinas a reformular cardápios e adaptar receitas tradicionais, mantendo o apelo entre os jovens, mas com escolhas mais equilibradas.
Proibir ultraprocessados nas escolas exige envolvimento de pais, professores e governos
O estudo também destacou a importância do envolvimento de diferentes agentes nesse processo. Para os pais, a recomendação é reforçar os hábitos alimentares saudáveis em casa e dialogar com as escolas sobre a oferta alimentar.
Professores e coordenadores escolares podem atuar como agentes de educação alimentar, incentivando escolhas mais saudáveis no dia a dia.
Já para os gestores públicos, os autores sugerem a criação e fiscalização efetiva de leis que proíbam a venda de ultraprocessados nas unidades escolares.
Um ponto de atenção levantado pela pesquisa é que, em locais sem fiscalização adequada, mesmo com legislação em vigor, houve recuo nos índices de saudabilidade ao longo do tempo. Isso reforça que a simples existência de uma lei não garante mudanças duradouras sem fiscalização e apoio contínuo.
A mensagem central do estudo é clara: cortar ultraprocessados nas escolas faz diferença, e essa diferença começa no prato e se reflete na saúde de toda uma geração.






