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Câncer de fígado pode crescer 100% até 2050 e preocupa especialistas

Por Leticia Florenço
02/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Fígado - Reprodução/iStock

Estudos recentes apontam para um crescimento alarmante nos casos de câncer de fígado no mundo nas próximas décadas.

De acordo com um relatório publicado na revista científica The Lancet, o número de diagnósticos pode praticamente dobrar até 2050, saindo dos 870 mil casos registrados em 2022 para cerca de 1,5 milhão. Essa tendência coloca a doença em evidência e reforça a urgência de estratégias globais de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

O câncer de fígado em números

O câncer de fígado já é o sexto tipo mais comum da doença em todo o mundo e a terceira principal causa de morte por câncer. As projeções indicam que, se nada for feito, esse número continuará crescendo rapidamente nas próximas décadas.

Mais de 60% dos casos previstos até 2050 estarão ligados a fatores que poderiam ser evitados, como hepatites virais, consumo de álcool e obesidade. Isso significa que ações preventivas e de conscientização podem ter um impacto significativo na redução dos casos e das mortes.

Uma doença silenciosa e de difícil detecção

Um dos principais desafios do câncer de fígado é o fato de que ele costuma evoluir silenciosamente. Na maioria dos casos, os sintomas só aparecem quando a doença já está em estágio avançado.

Entre os sinais que podem surgir estão:

  • Emagrecimento sem causa aparente
  • Perda de apetite
  • Dor na parte superior do abdômen
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Fezes esbranquiçadas
  • Fadiga constante
  • Inchaço abdominal
  • Náuseas e vômitos

Por isso, o diagnóstico precoce ainda é raro. Em geral, ele ocorre em pacientes que já possuem algum fator de risco, como cirrose ou hepatites crônicas, e fazem exames de rotina. Para a maioria da população, porém, o rastreamento ainda não é uma prática comum.

Principais causas e fatores de risco

O câncer de fígado está fortemente associado a uma série de condições que podem ser prevenidas ou tratadas. Os fatores de risco mais relevantes incluem:

  • Hepatites virais B e C (ainda responsáveis por mais da metade dos casos)
  • Cirrose hepática
  • Consumo excessivo de álcool
  • Obesidade e acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática)
  • Doenças metabólicas, como diabetes tipo 2
  • Doenças hereditárias
  • Uso abusivo de anabolizantes
  • Exposição a substâncias tóxicas

A forma mais agressiva da esteatose hepática, conhecida como MASH, também deve crescer 35% até 2050. Ela é comum em pessoas com sobrepeso, diabetes e outras doenças metabólicas.

O papel da obesidade e do álcool no avanço da doença

A obesidade tem se tornado um dos principais motores do aumento de casos de câncer de fígado. O excesso de gordura no organismo afeta diretamente a saúde hepática, levando à inflamação crônica e ao risco aumentado de câncer.

O consumo de álcool também contribui significativamente. Especialistas estimam que os casos relacionados ao álcool passarão de 19% para 21% até 2050. Embora os casos ligados às hepatites estejam em queda graças à vacinação e aos tratamentos antivirais, esses dois fatores, obesidade e álcool, continuam crescendo.

Mais de 40% dos casos de câncer de fígado no mundo estão concentrados na China. Isso se deve, em grande parte, à alta taxa de infecção por hepatite B, reforçando a importância da vacinação em massa e da triagem precoce.

Como diagnosticar e tratar

O diagnóstico pode envolver diferentes exames, como:

  • Exames de sangue
  • Ultrassonografia
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética
  • Biópsia (em alguns casos)

Quanto ao tratamento, ele varia conforme o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. As opções incluem:

  • Cirurgia para remoção do tumor
  • Transplante de fígado
  • Ablativos locais (como radiofrequência)
  • Radioembolização
  • Imunoterapia
  • Terapias-alvo
  • Quimioterapia (menos utilizada nesse tipo específico de câncer)

As chances de cura são significativamente maiores quando o tumor é identificado precocemente.

Recomendações para reduzir o avanço da doença

A comissão internacional de especialistas que produziu o relatório propõe uma série de recomendações para conter a alta dos casos nas próximas décadas:

  • Ampliar a vacinação contra hepatite B, especialmente em países com alta incidência
  • Garantir acesso a tratamentos antivirais para hepatite C, que têm até 90% de chance de cura
  • Implementar políticas públicas contra o álcool: aumento de impostos, restrição de publicidade e rótulos de advertência
  • Promover alimentação saudável e limitar o consumo de alimentos ultraprocessados
  • Incentivar a prática regular de atividades físicas
  • Aumentar a vigilância e o rastreamento em grupos de risco

Pequenas mudanças podem resultar em milhões de vidas salvas. O alerta está dado, e ainda há tempo de agir.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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