Os sadhus, monges ascetas do hinduísmo e jainismo, representam uma das figuras mais emblemáticas da espiritualidade na Índia. Cobertos com cinzas de cremação, esses homens renunciam à vida mundana para se dedicar inteiramente à busca pelo conhecimento e à elevação espiritual.
Desse modo, os sadhus são conhecidos por sua simplicidade extrema e pelo desapego material. Muitos vivem como nômades, peregrinando por templos e cidades sagradas, onde recebem doações em troca de aconselhamento espiritual.
Sua existência está profundamente ligada ao conceito de renúncia, e eles são vistos como seres que transcenderam as necessidades terrenas em busca da iluminação.
Vale mencionar que os sadhus se dividem em diferentes tradições. No hinduísmo, costumam vestir roupas de cor safranada, enquanto no jainismo, podem usar vestes brancas ou até mesmo permanecer nus, simbolizando a completa renúncia das posses mundanas.
Outra prática peculiar é a cobertura do corpo com cinzas retiradas dos ghats de cremação, como forma de simbolizar a efemeridade da vida e a conexão com a espiritualidade.
As práticas espirituais dos homens santos
Os sadhus podem adotar diferentes formas de culto e meditação. Enquanto alguns vivem em completo isolamento, dedicando-se à contemplação e ao ascetismo extremo, outros participam de rituais coletivos, entoando cânticos e mantras.
Um dos locais mais icônicos da presença dos sadhus é a cidade de Varanasi, considerada a mais sagrada do hinduísmo. Situada às margens do rio Ganges, a cidade atrai milhares de peregrinos e sadhus todos os anos, especialmente durante festivais religiosos como o Kumbh Mela.
É importante mencionar que Varanasi é mundialmente conhecida por suas cremações rituais, realizadas diariamente em fogueiras ao longo do Ganges. Segundo a tradição hindu, morrer na cidade garante a liberação da alma do ciclo de renascimentos.
Dessa forma, a presença dos sadhus nesses locais reforça seu papel como intermediários espirituais entre o mundo material e o divino.
Outro detalhe importante é que, apesar de serem respeitados como santos, alguns sadhus podem reagir de forma imprevisível ao contato com estranhos. Durante uma cobertura jornalística no Kumbh Mela, por exemplo, uma repórter foi surpreendida ao ser atingida por um bastão ao tentar filmar um desses monges.
Isso porque, para muitos sadhus, a espiritualidade deve ser preservada de influências externas, especialmente do olhar curioso de turistas e jornalistas.






