Um estudo publicado na revista Science analisou 40 anos de dados globais sobre o comércio legal e ilegal de vida selvagem e identificou uma relação direta entre essas atividades e o aumento do risco de transmissão de patógenos entre animais e humanos.
A pesquisa, que compilou registros de importação e exportação de fauna e informações sobre mais de 2 mil espécies de mamíferos, indica que cerca de 25% dessas espécies estiveram envolvidas em algum tipo de comércio ao longo do período analisado.
Comércio que causa doenças
- Mamíferos selvagens comercializados apresentam cerca de 1,5 vez mais probabilidade de compartilhar agentes infecciosos com humanos, segundo o estudo liderado por Jérôme Gippet.
- Esse aumento está associado à maior exposição a patógenos em ambientes de comércio e circulação internacional de fauna.
- O contato entre diferentes espécies durante a captura, transporte e comercialização facilita o chamado spillover.
- O fenômeno ocorre quando patógenos “saltam” de uma espécie para outra, sendo um dos principais caminhos para o surgimento de novas doenças infecciosas.
- O comércio ilegal intensifica o risco por ocorrer sem controle sanitário adequado.
- Animais são frequentemente transportados sob estresse extremo e em ambientes com mistura de espécies, o que favorece a disseminação de agentes infecciosos.
- Essas condições elevam a carga viral e aumentam a probabilidade de mutações e transmissões cruzadas.
- O estudo descreve o comércio de vida selvagem como uma “rede global de patógenos”.
- Nesse sistema, animais silvestres, espécies domésticas e seres humanos passam a estar conectados em um mesmo circuito de circulação de vírus e bactérias.
Todos em risco
Segundo o estudo, essa dinâmica amplia a disseminação de vírus e bactérias antes restritos a ecossistemas isolados e contribui para o surgimento de doenças emergentes em escala global.
Os pesquisadores estimam que o comércio de fauna envolva aproximadamente um quarto das espécies de mamíferos do planeta, o que potencializa os riscos sanitários associados à atividade.
Os autores reforçam que o fenômeno não se limita a uma questão ambiental, mas também representa um desafio de saúde pública global.
O risco de transmissão aumenta especialmente em contextos de comércio ilegal, transporte internacional de espécies exóticas e alta diversidade de animais em contato próximo, condições que favorecem a circulação e adaptação de novos patógenos.





