Os dados iniciais do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (27), indicam uma relação evidente entre o nível de escolaridade das mulheres e sua fecundidade no Brasil: quanto maior a educação, menor a média de filhos e maior a idade ao se tornarem mães.
A pesquisa abrangeu mulheres a partir dos 12 anos, contabilizando o número de filhos nascidos vivos até a data de referência, 31 de julho de 2022, incluindo quantos estavam vivos naquele momento. Considera-se filho nascido vivo aquele que, independentemente do tempo de gestação, manifestou sinais de vida após o parto, mesmo que tenha falecido logo em seguida.
Escolaridade e taxa de natalidade
Média de filhos por mulher conforme escolaridade:
- Sem instrução ou com fundamental incompleto: 2 filhos.
- Fundamental completo e médio incompleto: 1,9 filho.
- Médio completo e superior incompleto: 1,4 filho.
- Superior completo: 1,2 filho (menor índice).
Idade média ao primeiro parto conforme escolaridade:
- Sem instrução ou fundamental incompleto: 26,7 anos.
- Médio completo e superior incompleto: 28,4 anos.
- Superior completo: 30,7 anos (mais elevada).
Esses dados contribuem para a explicação da queda contínua da taxa de fecundidade no país, que em 2022 foi de 1,55 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional estimado em 2,1 filhos.
Análises adicionais
Além dos dados do IBGE, estudos recentes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o aumento da escolaridade das mulheres está relacionado a um maior acesso a métodos contraceptivos e ao planejamento familiar, aspectos que contribuem significativamente para a diminuição da fecundidade. Além disso, observa-se que a maior inserção feminina no mercado de trabalho e o adiamento da maternidade refletem transformações culturais e socioeconômicas que influenciam a composição demográfica do país.
Esse contexto impõe desafios para as políticas públicas nas áreas de previdência social, educação e saúde, especialmente diante do envelhecimento populacional e da necessidade de adaptar os sistemas de proteção social para os próximos anos.






