A confirmação de um caso de peste bubônica nos Estados Unidos, em agosto, reacendeu o alerta global sobre doenças medievais que ainda persistem. Conhecida como “peste negra”, a infecção matou milhões na Idade Média, mas ainda circula em alguns países. Assim como ela, cólera e hanseníase seguem ativas, sobretudo em regiões marcadas pela desigualdade e pelo saneamento precário.
Mesmo com os avanços da medicina, muitos agentes infecciosos continuam se adaptando, tornando difícil sua erradicação. Na história, apenas a varíola foi totalmente eliminada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), fatores como pobreza, falta de saneamento e baixa cobertura vacinal mantêm o risco de novos surtos dessas doenças medievais em diferentes partes do mundo.
Enfermidades medievais atualmente
Peste bubônica
- Causador: bactéria Yersinia pestis
- Transmissão: picada de pulgas infectadas que vivem em roedores
- Tratamento: antibióticos e melhorias em higiene e saneamento
- Situação mundial (2019–2022): 1.722 casos e 175 mortes em seis países, segundo a OMS. República Democrática do Congo concentra a maioria das ocorrências
- Situação no Brasil: Não há registros desde 2005. Regiões do Semiárido nordestino permanecem sob monitoramento
Hanseníase
- Causador: bactéria Mycobacterium leprae
- Transmissão: contato prolongado com pessoas infectadas sem tratamento, geralmente pelas vias respiratórias
- Evolução: lenta, com sintomas como manchas e perda de sensibilidade na pele; pode causar deformidades se não tratada precocemente
- Tratamento: fornecido gratuitamente pelo SUS; combina antimicrobianos por até um ano
- Situação mundial (2024): Brasil foi o segundo país com maior número de notificações. Mais de 22 mil novos casos registrados
- Desafio: diagnóstico tardio ainda é um obstáculo à cura e à prevenção de sequelas
Cólera
- Causador: bactéria Vibrio cholerae
- Transmissão: ingestão de água ou alimentos contaminados
- Sintomas: diarreia intensa, desidratação e risco de morte se não houver tratamento rápido
- Histórico: sete pandemias desde o século 19; a última, iniciada em 1961, continua ativa
- Situação mundial (2025): Mais de 460 mil casos e quase seis mil mortes em 32 países
- Situação no Brasil: Sem registros locais desde 2006; casos importados são raros
- Prevenção: acesso a saneamento básico, higiene alimentar e vacinação oral (ainda com cobertura limitada)
Garantir água potável, higiene e vigilância epidemiológica eficaz permanece essencial para evitar a reemergência dessas enfermidades medievais. Embora não possam ser totalmente erradicadas, medidas de prevenção e tratamento continuam sendo as principais formas de controle.






