O ciclone extratropical que atingiu a capital e a Grande São Paulo provocou uma das maiores interrupções elétricas já registradas pela Enel. O fenômeno derrubou árvores, arrancou estruturas e levou mais de 2 milhões de clientes a perderem o fornecimento de energia desde a noite de quarta-feira (10).
Na manhã seguinte, mais de 1,5 milhão de pessoas ainda amanheceram no escuro, enfrentando transtornos que afetaram desde a rotina doméstica até serviços essenciais, como abastecimento de água e o funcionamento do transporte público.
Mapa da queda de energia e regiões mais afetadas
O relatório atualizado da Enel mostrou a gravidade da situação em diversas cidades da região metropolitana. A capital liderou com folga o número de consumidores sem luz, ultrapassando 1 milhão de unidades, cenário que paralisou bairros inteiros e pressionou serviços emergenciais.
Além da capital, municípios como Santo André, Osasco, Embu, Carapicuíba e Diadema também registraram índices expressivos de interrupção, enquanto cidades como Embu-Guaçu, Cotia e Juquitiba apresentaram a maior proporção de danos, indicando uma vulnerabilidade maior da rede em áreas mais arborizadas ou com infraestrutura antiga.
Resposta da Enel e mobilização das equipes
A Enel afirmou que havia se preparado antecipadamente para os efeitos do ciclone e mobilizado mais de 1.500 equipes de campo. Nas primeiras horas de trabalho, aproximadamente 500 mil clientes tiveram o fornecimento restabelecido.
A distribuidora destacou ainda que instalou geradores em pontos críticos, como hospitais e localidades com maior risco social, priorizando situações emergenciais.
Segundo a empresa, vários trechos da rede foram destruídos pela queda de árvores e pelo deslocamento de objetos carregados pelo vento, o que exige reconstrução completa de algumas estruturas, tornando o processo mais lento.
Queda de árvores e chamados de emergência
O Corpo de Bombeiros enfrentou uma noite de intensa demanda. Foram registradas 1.642 ocorrências de queda de árvores, que danificaram veículos, bloquearam vias importantes e chegaram a comprometer fachadas de edifícios.
Houve ainda chamados para desabamentos e enchentes, demonstrando que o impacto do ciclone foi generalizado. Um exemplo foi o tronco que atingiu a entrada da Japan House, na Avenida Paulista, obrigando o fechamento imediato da instituição cultural e o cancelamento das atividades do dia.
Ciclone Extratropical
O Inmet informou que o ciclone extratropical atuou por cerca de 12 horas, com rajadas que chegaram a 98 km/h, intensidade capaz de causar estragos severos em centros urbanos densos como São Paulo.
Segundo meteorologistas, esse tipo de fenômeno tem se tornado mais comum nos últimos anos, impulsionado por alterações climáticas e mudanças nos padrões atmosféricos.
A Defesa Civil já havia emitido alertas desde segunda-feira (8), indicando a possibilidade de chuvas fortes, ventos extremos e até granizo. A previsão se confirmou, e a passagem do ciclone deixou um rastro de destruição e desabastecimento.
Consequências imediatas para a população
Sem energia, milhares de famílias também ficaram sem água devido à dependência de bombas elétricas para o sistema de abastecimento. Em diversos bairros, semáforos apagados geraram congestionamentos intensos, e estações de trem e metrô registraram atrasos.
Para muitos, a noite foi marcada por insegurança, falta de comunicação, impossibilidade de usar eletrodomésticos e dificuldades para acompanhar atualizações sobre o temporal e as ações de restabelecimento.
A Enel trabalha em ritmo acelerado, mas admite que a recuperação total pode levar tempo devido à complexidade dos danos. A combinação de árvores de grande porte, ventos extremos e sobrecarga da rede deixou pontos críticos que exigem substituição completa de cabos e postes.
Especialistas alertam que, diante da frequência crescente de eventos climáticos severos, será necessário reforçar a infraestrutura elétrica, adotar sistemas mais resistentes e revisar protocolos de resposta rápida para evitar apagões tão prolongados.






