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Empresa que espiona seu computador tem EUA como ‘principal’ cliente

Por Leticia Florenço
10/02/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: (Imagem/Reprodução)

Foto: (Imagem/Reprodução)

A Paragon Solutions, uma empresa israelense especializada em software de espionagem, foi recentemente confirmada como fornecedora de tecnologia para o governo dos Estados Unidos, tornando-se um dos principais fornecedores de ferramentas de vigilância para nações democráticas, com destaque para os EUA e seus aliados. O caso ganha maior relevância devido às acusações envolvendo a utilização de suas ferramentas para hackear jornalistas e membros da sociedade civil.

A Paragon Solutions desenvolve e licencia tecnologias de espionagem e monitoramento para governos, com foco em democracias globais. A empresa se destaca no mercado de segurança cibernética por fornecer ferramentas que permitem monitorar e espionar indivíduos ou grupos em dispositivos como smartphones e computadores.

Paragon e o governo dos EUA

Segundo informações do site TechCrunch, o presidente executivo da Paragon Solutions, John Fleming, afirmou que a empresa licencia suas tecnologias a um grupo restrito de países, com os Estados Unidos figurando como um de seus principais clientes. A empresa possui um contrato de fornecimento com o governo norte-americano, o que permite o uso de suas ferramentas de espionagem para monitoramento de cidadãos e investigações de segurança.

Fleming também afirmou que a Paragon exige que seus clientes assinem um compromisso que proíbe o uso de suas tecnologias para alvos ilícitos, como jornalistas e membros da sociedade civil. No entanto, a empresa já foi acusada de falhas em monitorizar e controlar o uso das suas ferramentas, o que levanta questões sobre a eficácia dos seus controlos internos.

Acusações de abuso de ferramentas

A Paragon Solutions esteve no centro de uma polêmica envolvendo o WhatsApp, onde foi acusada de tentativa de hackear cerca de 90 usuários, incluindo jornalistas e ativistas de direitos humanos em mais de 20 países. O ataque utilizado pela Paragon é conhecido como “clique zero”, um método que permite a instalação de malwares em dispositivos sem a necessidade de qualquer interação por parte das vítimas.

O WhatsApp reagiu imediatamente, interrompendo o ataque e notificando o Citizen Lab, uma organização que investiga abusos de tecnologias de vigilância. A empresa de espionagem israelense não respondeu a várias questões levantadas pelo TechCrunch sobre o caso, o que levanta ainda mais desconfiança em relação às suas práticas.

Denúncias e investigações

Apesar das declarações contra a Paragon, a empresa insiste em afirmar que possui políticas rigorosas contra o uso indevido de suas ferramentas, principalmente em relação à fiscalização de jornalistas e figuras da sociedade civil. No entanto, as investigações demonstram que, embora a Paragon afirme ter uma “política de tolerância zero” em relação aos abusos, a falta de transparência nas investigações e na divulgação de informações levanta sérias preocupações.

O WhatsApp, por exemplo, não forneceu detalhes sobre como o ataque foi realizado nem como a Paragon pode ter facilitado tal invasão de privacidade. Além disso, uma empresa de spyware esquivou-se de perguntas sobre como lidar com denúncias de abuso e se já cancelou contratos com clientes que violaram seus termos de uso.

Mercado de Spyware e suas implicações

O mercado de spyware está em ascensão, alimentado por uma demanda crescente de governos por ferramentas de monitoramento. Empresas como a Paragon Solutions operam nesse mercado, vendendo tecnologias que permitem a vigilância dos cidadãos e a interceptação de comunicações. Essas ferramentas são frequentemente usadas por governos para monitorar atividades suspeitas e combater o crime, mas também podem ser empregadas para reprimir a dissidência e atacar aqueles que se opõem a regimes políticos.

O fato de os EUA serem um dos principais clientes da Paragon levanta questões sobre o equilíbrio entre segurança e direitos civis, principalmente quando se trata de privacidade. Organizações de direitos humanos já manifestaram preocupações sobre o uso de tecnologias de vigilância para espionar opositores políticos, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

Enquanto a empresa defende suas práticas e compromissos éticos, a falta de transparência e a dependência crescente de tecnologias invasivas indicam um cenário preocupante para a privacidade global.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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